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Dica quadrinística: “Fragmentos do Horror” de Junji Ito (2014)

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Esperei por esse mangá um tempão, desde que foi anunciado no início do ano (pelo menos foi quando eu fiquei sabendo da sua publicação no Brasil). Se você gosta de horror e tem um senso humor negro este quadrinho é para você.

“Fragmentos do horror” é uma compilação de one-shots de horror criador pelo Junji Ito, um dos mangakás mais criativos atualmente em atividade. São 8 história, como o próprio título já diz, de horror, que variam em seu tom, do mais assustador e/ou perturbador ao mais humorado e bizarro.

Todas elas foram escritas e desenhadas por Junji Ito após um período de repouso do autor, há poucos anos, ou seja, após ele já ter se concretizado como uma das mentes mais criativas dentro da esfera dos mangás de atualmente. É um deleite saber disso, pois mostra o seu poder criativo, com muito fôlego ainda para gastar com tintas nanquim.

Como histórias de horror, elas não são assustadoras, mas são extremamente perturbadoras, do tipo que deixa sem fome depois de ler, mas, ao mesmo tempo, são extremamente compensadoras, pois é um prazer acompanhar a narrativa de Junji Ito, seus traços detalhistas, os painéis recheados e a criatividade florescendo ao longo de suas mais de 200 páginas.

Há algumas críticas a serem feitas, pelo fato de serem histórias curtas, Junji Ito deixa de apresentar o amplo desenvolvimento narrativo característico de seus principais mangás (Gyo, Uzumaki e Hellstar Remina), deixando de lado o seu lado mais niilista e perturbador para dar espaço ao lado mais humorado, embora o humor dentro de “Fragmentos do horror” seja puramente negro. Isso faz com que a obra seja mais fácil de engolir, embora ainda tenha o seu teor perturbador, ela não te deixa mal depois da leitura.

O traço de Junji Ito é detalhista e aqui temos a oportunidade de ver duas personagens femininas protagonistas com aquele visual característico que elas têm (não sei se isso é homenagem a alguém ou o quê, mas os traços de Tomio é basicamente o mesmo de muitas outras de suas personagens) e contamos com uma enorme imersão narrativa, sua principal e mais forte característica. Aqui, essa qualidade é explorada ao máximo, pois em poucas páginas, ele é forçado a criar algo que prenda a nossa atenção (e tensão) desde o primeiro quadro.

Infelizmente, a edição da Dark Horse não contém páginas coloridas e isso é imperdoável para uma edição que se diga “de luxo”. Há apenas 2 páginas coloridas num mangá que foi vendido a mais de 60 reais no seu lançamento, sendo algo muito ultrajante eles terem descolorido o quadro pintado no começo do mangá.

Tremendo vacilo, Dark Horse.

Mas o importante é que “Fragmentos do Horror” foi finalmente publicado aqui no Brasil e por uma editora competente, que fora o vacilo com as páginas coloridas, fez um ótimo trabalho com a publicação do mangá, em capa dura, com um trabalho artístico muito melhor que o de editoras estrangeiras e abrindo espaço para que outros mangás do mestre Ito sejam publicados aqui no Brasil e quem sabe até os seus influenciadores, como “The Drifting Classroom”.

4 pontos

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