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Dica especial do Dia dos Pais

Em mais um post especial para o dia dos pais, esses senhores tão importantes na vida de todos nós, falarei de um filme que nos apresenta um dos melhores pais que o cinema já viu.

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“A vida é bela” é um filme assim como “Cantando na Chuva”, nós aparentemente conhecemos muito do filme, mas quando o assistimos pra valer, nos surpreendemos e ambos têm muito mais semelhança do que parece. Assim como “Cantando na chuva”, “A vida é bela” é um filme engraçado, mas apenas nos lembramos das cenas escuras no campo de concentração e Josué em cima do tanque de guerra estadunidense no final do filme.

Foge da nossa memória coletiva toda a primeira hora do filme.

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Primeira hora que nos apresenta um pouco da crítica social que nenhum filme que retrate o período da segunda guerra mundial pode escapar, mas de forma bem-humorada, inteligente e singela.

Mas vamos à história, que todos conhecem. Somos apresentados à Guido Orefice, um jovem de descendência judia que tem a ambição de abrir uma livraria numa pequena cidade da Itália. Após um acidente de carro inusitado, ele conhece Dora e o que se segue é uma série de desventuras que levam os dois a se aproximarem, até que decidem se casar e juntos têm um filho, Josué. No final da segunda Guerra Mundial, Guido e Josué são enviados a um campo de concentração e, desesperada, Dora corre atrás deles, sendo enviada para o mesmo campo, porém na ala feminina. Para não desesperar o filho, Guido, muito genioso, característica explorada ao longo de toda a primeira do filme, inventa uma história, transformando toda a sua passagem pelo campo de concentração num enorme jogo e que só acaba quando alguém conquistar mil pontos, recebendo, como prêmio, um passei de volta pra casa num tanque de guerra.

A história é comovente, mas eu gostaria de me centrar em sua primeira hora, que abre espaço para uma discussão muito interessante. A começar pela escolha narrativa de seus criadores. A história, apesar de bem-humorada, carrega um ar pesado em toda a sua projeção. Guido não é rico, chega de viagem para uma vila pequena onde tem o sonho de abrir uma livraria, mas de início não consegue a permissão da prefeitura e vai trabalhar de garçom para o seu tio. Suas peripécias são medidas eficientes de abrandar a dureza da vida, presente em todos os momentos de sua trajetória ao longo do filme, de se ver forçado a pegar carona no carro velho do amigo, porque não tem condições de ter o próprio veículo ao modo como ele lida com os clientes do hotel onde trabalha.

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Tudo isso reforça a personalidade de Guido, o personagem principal dessa história, ele é o herói do filme no sentido mais literal que se pode ter dessa palavra. De forma alguma, ele segue o ideal grego de herói, mas é um legítimo herói moderno, o herói do século XX e isso é belo. Guido é um exemplo de homem que luta contra todas as adversidades da vida com a cabeça erguida, ele erra e aprende, iniciando de novo, falha, aprende e recomeça.

Não se contentando em nos apresentar um exemplo de masculinidade para a vida, o filme ainda nos apresenta um exemplo de capitalista para a vida. Guido é um empreendedor nato, buscando apenas montar o seu próprio negócio e enriquecer de forma honesta, sem criar contatos com as figuras do Estado, sequer subvertendo-as para o seu próprio benefício. Muito pelo contrário, na cena em que ele busca a permissão para abrir uma livraria, ele até tenta manter o funcionário público na linha, dizendo que ele está saindo do emprego 10 minutos mais cedo, tempo que poderia ser usado para assinar a permissão. Ele faz tudo nos conformes da lei e mesmo que seja passado pra trás ou seja derrubado pela burocracia não desiste e anos mais tarde, com o seu filho já crescido, vemos um Guido que é dono de seu próprio negócio, uma pequena livraria.

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Fora isso, é um amante nato. Dora, sua desejada, é uma mulher de classe superior, mas ela cai no charme de Guido, que a surpreende, a entretém e a protege. Esse lado do herói é explorado em outros momentos do filme, mas logo no começo já abre espaço para vermos que Guido domina todos os 4 arquétipos da masculinidade: o mago, o amante, o guerreiro e por fim o rei. Na cena do jantar, vemos o guerreiro em atividade quando, no meio de todos, logo após o anúncio do noivado de Dora com um servidor púbico (o mesmo que negou assinar a permissão que Guido precisava), o nosso herói a rouba de seu noivo, de sua família e daquela festa enfadonha, levando-a consigo para uma vida mais simples, porém mais feliz. Nem sempre a arma de um guerreiro é uma espada, mas aquilo que vence uma guerra.

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O bom humor de Guido já é um aspecto que demonstra o quão bem ele domina o rei, mas é na segunda metade do filme que vemos esse aspecto no seu ápice. Ao enfrentar a opressão nazista com tanta inteligência e desenvoltura, fica claro que ele não é um homem qualquer, mas o homem, conseguindo manter acessa a paizão de sua esposa mesmo a distância e mantendo o filho longe da podridão do mundo, chegando ao ponto de se sacrificar para isso.

“A vida é bela” é um clássico absoluto. Sendo filho de uma professora de história, cresci com esse filme e sempre o considerei quase como uma parte de meu corpo (assim como Gladiador), mas só agora é que pude captar significados escondidos por baixo dos panos e admirá-lo como ele deveria ser admirado. Um filme exemplar, uma obra muito bem construída e desenvolvida, “A vida é bela” é o filme perfeito para você assistir com o seu pai hoje.

5 pontos

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