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Pensamentos acerca do Carnaval de Inverno

Dia 12 de julho de 2017.

Esse dia entrará para a história mundial ao lado de acontecimentos como a renúncia de Berlusconi, a prisão e impeachment de Park Geun-hye, o caso Watergate e outros tantos escândalos que apenas levaram o mundo a um lugar melhor, mais justo e belo.

Ontem, dia 13, o dia até amanheceu mais lindo, o sol brilhava mais forte, os pássaros cantavam com mais alegria, as nuvens eram mais brancas e a vida era mais leve, pois no dia 12 de julho de 2017, o ex-presidente Luís Inácio “Lula” da Silva, um dos déspotas mais execráveis que esse país, o nosso amado Brasil, já viu foi, finalmente, condenado a 9 anos e meio de cadeia.

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Que alegria, meus senhores! Que felicidade senti ao receber esse maravilhoso, não! Esse maravilhosíssimo presente de aniversário antecipado do excelentíssimo senhor juiz Sérgio Moro, orgulho do meu Paraná! (Consigo até imaginar o falecido – que Deus o tenha! – Alborghetti falando isso em rede nacional)

E como foi muito bem pontuado por Felipe Moura Brasil n’O Antagonista, agora é momento de celebrar. A luta foi vencida, mas a guerra continua, Lula ainda não foi preso, ele irá recorrer da decisão, ainda existem outros processos por baixo daquela barba escrota e a corrupção brasileira, tão endêmica ao nosso território, continua a solta, mas a justiça está aí, firme e forte, caminhando sôfrega, solitária, enfrentando uma chuva ácida que corrói e nos queima, mas ela resiste. Moro resiste (como ainda têm coragem de falar mal dele, cretinos?). E portanto, deixe-nos celebrar. Que por um dia sintamos o prazer da vitória sofre a corrupção, o mau caratismo, o populismo, o socialismo destrutivo. Que por um dia sintamos esperança pelo futuro que ainda há de vir. O inverno está chegando e com ele se acabam as colheitas, mas apenas para os corruptos, para o brasileiro honesto é momento de celebração: tenhamos o Carnaval de Inverno!

***

Num outro momento, mais cedo do que essa maravilhosa notícia, senadores aprovaram o texto integral da reforma trabalhista e, coisa engraçada, não vi argumentos contrários, apenas vi piadas, memes e uma atitude sínica ruidosa e destrutiva no meio daqueles que são contra a reforma, em sua maioria por pura ignorância.

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Na aula de ontem, ouvi comentários chamando aqueles que celebram a aprovação de tal reforma como “ignorantes”, “vítimas de uma lavagem cerebral” ou, simplesmente, “mau caráter”. No entanto, gostaria muito de saber, quem deles leu o texto integral da reforma? Quem deles entende o mínimo de história e conhece a trajetória da CLT em nosso país? Por quais meios eles se informam? Jornal Nacional? Carta Capital? Veja? Qualquer link do Facebook?

Se for assim é melhor se informar pelo Youtube.

Não vou tentar combater argumentos (a área de comentários está aí pra isso), vou apenas apresentar os meus argumentos, que são, sim, a favor da reforma trabalhista, apesar dos pesares.

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Apesar dos pesares, porque eu não gosto dessa reforma trabalhista, não a acho ideal, mas é um passo para o ponto perfeito. Eu acho, sim, que as leis brasileiras precisam ser revistas, porque são falhas, mas para mim, a CLT que se exploda e criemos algo novo no lugar, algo mais simples, de fácil acesso e compreensão.

Isso, essa reforma não faz, não chega nem perto disso, mas ela coloca em ordem alguns aspectos urgentes que precisam ser modificados.

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O primeiro deles é, claro, o poder dos sindicatos. A intensão dos sindicatos é boa, em teoria eles funcionariam que é uma beleza, mas em teoria tudo funciona que é uma beleza. Em teoria o socialismo é uma maravilha, o comunismo é lindo e o anarcocapitalismo é extremamente funcional. Mas na vida real, ah, meus amigos, aí é outra história. Na vida real, sindicato é massa de manobra, prejudica não só o trabalhador, mas o cidadão de bem e é caminho fácil para o enriquecimento pessoal.

Uso como exemplo, o meu querido Paraná, onde nos últimos meses tem sido vítima da movimentação sindical por todos os lados, especialmente em relação a educação. Escolas e universidades entram de greve, os sindicalistas continuam recebendo e passam o dia todo sentados atrás de um gabinete (ou tomando tereré na calçada), enquanto os alunos ficam em casa, ociosos. Para alguns, isso é férias, mas para alguém, como eu, que só quer terminar a faculdade é uma enorme dor de cabeça. E nem preciso falar do uso cretino que eles fazem do dinheiro de professores, pagando viagem pra manifestante ir em Curitiba, fazer um barulhinho e depois passear nas ruas da capital.

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Os sindicatos, no Brasil, são tóxicos. Pra começar, não deveria nem ser trabalho, sindicato é uma organização, é algo que deveria surgir espontaneamente e que não deveria ser fonte de renda pra ninguém. Você deveria assumir um sindicato por paixão aquilo, porque quer representar seus colegas de trabalho. É assim que deveria funcionar, mas não funciona e por isso a reforma acaba sendo bem-vinda.

Além disso, a reforma flexibiliza as relações entre empregado e empregador, incentivando o diálogo entre as duas partes, pois não há mais necessidade de se ter um acordo aprovado pelos sindicatos e o que é previsto num contrato escrito entre o empregado e seu patrão passa a ser a única prova necessária para a comprovação de alguns processos.

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E a reforma não apresenta nenhuma perda de direitos, apenas a flexibilização deles. Acabou seu almoço? Aonde? O texto integral não fala nada sobre o horário de almoço, a não ser que você trabalhe 6 horas por dia (o que não é o caso da maioria dos trabalhadores honestos desse país), porque aí você tem a possibilidade de ter um horário de almoço reduzido de 60 para 30 minutos.

Apenas a possibilidade.

Suas férias não acabaram também, você apenas terá a opção de dividir suas férias em 3 partes. Algo excelente, porque já ouvi n vezes colegas meus dizendo que não gostam de tirar férias, porque é muito tempo sem fazer nada em casa. Eles preferem tirar uns 15 dias e receber os outros, algo feito de forma informal e que agora está prevista em lei.

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A empresa que te contratou ainda terá que te pagar ajuda de custo, gastos com viagens, assistência médica, essas coisas, mas tudo isso será pago fora do seu salário, ou seja, você receberá o valor integral dessa ajuda, sem ter que contribuir para o INSS e o FGTS, por exemplo. Mais uma vez, você se verá longe de sanguessugas do governo.

E outros pontos da reforma são bons para o empregador.

O empregador também se verá livre do sindicato, pois não terá mais que se submeter a ele para executar demissões em massa (detalhe, nessas demissões o empregador tem que receber tudo o que tem direito, ou seja, sem perdas, apenas ganhos), se for processado, ganha o processo se o empregado não comparecer a primeira audiência, no caso de micro e médias-empresas as multas serão reduzidas, a duração da jornada de trabalho e intervalos poderá ser negociada diretamente com os empregados e ainda terá a possibilidade de se criar acordos coletivos que prevalecem sobre as Convenções Coletivas.

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Vantagens para o empregador e que acabam beneficiando os dois lados, pois, de forma alguma, essas vantagens para o empregador significam desvantagens para o empregado. Os direitos do empregado continuam mantidos, mas todos eles poderão ser negociados, divididos ou convertidos em pagamentos, se as duas partes assim decidirem.

***

E para terminar, um último pensamento, que me incomodou nos últimos dias. A maioria das piadas cínicas na internet acabam figurando o empregador como uma espécie de déspota capitalista, criando a imagem do velho, branco, de terno e fumando charuto sentado numa pilha de dinheiro. É uma imagem clássica, mas algo que precisa ser urgentemente desconstruído, porém ninguém o faz e eu não sei porque.

Essa imagem, importada dos EUA, sequer representa o capitalista, pois os EUA não é um exemplo de país capitalista e sim de corporativista. Essa imagem representa o dono de negócios que adora a burocracia do Estado, pois com ela se aproveita de seus empregados e cria caminhos cada vez mais intricados para levar vantagens sobre os outros, criando monopólios.

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Isso não é capitalismo.

E mais importante que isso, o brasileiro tem que abandonar essa imagem, pois o empresário brasileiro não é assim. Não é justo colocar no mesmo balaio o dono da Vivo com o seu Joaquim, dono da padaria da esquina. Ambos são empresários, mas os dois são bem diferentes entre si. Um é aproveitador, outro é conciliador, um cria monopólios, o outro respeita o espaço do próximo, um quer se aproveitar da população, o outro contribui para a valorização da região onde mora, um se beneficia da burocracia, o outro é vítima da burocracia, um é corporativista, o outro é capitalista.

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Eu venho de uma família de empreendedores e já vi meu pai falir por que tinha um pequeno negócio, mas era julgado como se fosse peixe grande e pior, julgado pelos peixes grandes. Achou a comparação entre o dono da vivo e o dono da padaria ridícula? Tente imaginar agora um dono de um posto no início de uma cidade de interior contra um posto da Petrobrás lá entre 2002-2003… É, cara. Esse negócio de ser empresário no Brasil não é mole, não.

E por isso essa reforma não basta. É um passo, mas ainda precisamos de muito mais.

Por enquanto, celebremos o Carnaval de Inverno, que amanhã tem mais trabalho pra fazer.

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