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Dica televisiva: “Anna” (1967)

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Uma dica retrógrada hoje, mas que vale muito a pena ser assistida, este é o primeiro filme em cores feito para a TV francesa, dirigido por Pierre Koralnik e com trilha sonora de Serge Gainsbourg, o que não é lá grandes coisas, mas chama a atenção de qualquer jeito, ainda mais pela presença de Anna Karina e Jean-Claude Brialy.

“Anna” conta a história de um fotógrafo, Serge, que fica fascinado com a fotografia do rosto de uma mulher, mas como a exposição da foto é tão grande, aparecem apenas a boca, os olhos e linhas fracas de nariz e cabelo. A moça fotografada é Anna, uma colorista que trabalha no estúdio das tias de Serge. Os dois já se viram algumas vezes, mas ele não a reconheceu e sua paixão apenas cresce, enquanto que a admiração dela por ele também.

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O filme é um musical, daqueles bem feitos mesmo. Há muito bom humor, cenas bizarras, vestimentas impraticáveis, romance e, claro, muita música. É um filme muito divertido e gostoso de se assistir, tem pouco mais de 1 hora e 20 minutos, que passam rapidamente. Os personagens, como em todo musical, sofrem pouca modificação ao longo da história, centrando-se no romance, que tem muita ligação com a história da Cinderela, no entanto, o seu final, passa longe de ser o final feliz de um conto de fadas e, ainda assim, não deixa de ser afirmativo.

A trilha sonora é regada a rock dos anos 60, com guitarras sem distorção, muita percussão e instrumentos de sopros. Serge Gainsbourg criou composições muito interessantes e bem à frente de seu tempo (temos que lembrar que esse é um filme de 67 e há coisas aqui que poderiam ter vindo de Hendrix ou do The Who). A fotografia é soberba, mesclando cores exuberantes com o visual soturno e nebulosos de Paris, uma mescla de noir com musicais dos anos 50, uma obra moderna e ousada, jogando na sua cara todo o charme que a segunda metade do século passado podia dar.

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Ainda assim, o filme apresenta alguns aspectos que assustam, de certa forma e você precisa meio que se render a essas qualidades para poder admirá-lo. A primeira é a própria trilha sonora, as canções não são típicas de um musical, onde os intérpretes cantam e acompanham todas as canções com perfeição, muitas canções são apenas instrumentais e a maioria não seguem uma métrica, optando pela criatividade que apenas uma liberdade muito bem estruturada pode dar. O segundo aspecto se refere a própria história, é um romance que se desenvolve muito lentamente, Serge encontra Anna em diversos momentos, mas não a reconhece e você fica se perguntando como ele pode ser tão burro por diversos momentos. E pra terminar, mais para o final do filme, a história se rende completamente a subjetividade e sua estrutura se torna onírica e esparsa, mas continua belíssima.

Anna Karina, que pra mim sempre pareceu uma sonsa, mas uma sonsa que eu gostaria de chamar de “minha”, está incrível nesse filme, esbanjando charme, simpatia e interpretação, mostrando que ela gosta mesmo é de cantar. Já Jean-Claude Brialy continua ótimo nesse filme, interpretando um apaixonado perdido em Paris de maneira soberba. Serge Gainsbourg faz uma participação como amigo de Jean-Claude, mas não muda muita coisa, praticamente ele interpreta a si mesmo.

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“Anna” foi um verdadeiro achado pra mim, é difícil de acha-lo para download, mas eu sou uma boa pessoa porém vale a pena ser assistido, entrando facilmente na lista de melhores filmes de Anna Karina.

4 pontos e meio

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