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Dica literária: “João de Ferro” de Robert Bly (1990)

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Eis que eu reli um dos livros mais importantes já publicados no século passado e que experiência fantástica foi.

“João de Ferro” é um livro publicado inicialmente em 1990, escrito por Robert Bly, um poeta, ensaísta e líder do movimento masculinista mitopoético. Se você leu meu post sobre “The Red Pill” já sabe minhas opiniões acerca do movimento e seus extensos braços. Este livro parte de uma premissa simples, qual a importância da masculinidade para o mundo atual, no caso, o final do século XX e o seu futuro, no caso, essa época confusa em que estamos?

Os parâmetros de masculinidade que seguíamos em épocas passadas estão obsoletos, ninguém nega isso, mas as imagens atuais que temos de homens também não servem, por um lado temos homens cada vez mais egocêntricos, do outro temos homens fracos e no meio uma massa confusa que não sabe que caminho seguir e acaba se afundando num mar de impessoalidade. Robert Bly tenta entender o que aconteceu, como chegamos a esse ponto e o que devemos fazer.

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Para isso, ele começa o livro com uma pequena contextualização histórica, apontando os problemas que vieram com a Revolução Industrial, que acabou com o trabalho manual tradicional, passado de pai pra filho, de mestre pra aprendiz e levou os pais a se fecharem em fábricas e cubículos por quase metade de um dia (perceba que isso nada tem a ver com capitalismo, seu esquerdalha nojento!), depois, com a vinda de duas guerras mundiais, o número de homens abaixou drasticamente e com isso, as sociedades, como um todo, enfraqueceram. Isso foi importante para os movimentos feministas, mas o que ninguém contava era que essa negligência aos homens, em especial, aqueles que nasciam nessa época, acabaria gerando um efeito cascata devastador na sociedade como um todo.

E a partir daí, qual é a resposta que ele nos dá? Restaurar os ritos de passagem, porque a masculinidade não pode ser compreendida através de teoria, mas apenas de prática e exemplo, para tanto, precisamos de ritos de passagem. Robert Bly expõe sua importância através de exemplos de tribos, que realizam ritos de passagem até hoje, demonstrando o seu significado e simbolismo, indicando o peso que isso tem para os jovens que estão passando por tal momento.

E aí entra a história de “João de Ferro”, um conto de um ser que vive num lago, o João de Ferro, que é capturado por um caçador e mantido preso por um rei. Seu filho, o príncipe acaba libertando João de Ferro, após conseguir a chave de sua prisão, escondida embaixo do travesseiro da rainha e João de Ferro o leva para a floresta. Lá, o príncipe passa por provações, falha e é enxotado para fora da guarda de João de Ferro, mas não sem antes receber o seu respeito e garantia de proteção futura. O jovem começa a trabalhar como padeiro, depois passa a trabalhar como jardineiro do castelo do rei e lá cai nas graças da princesa. Quando o rei realiza um torneio para encontrar alguém que seja digno de se casar com sua filha, o jovem pede ajuda a João de Ferro, durante três dias, ele aparece sob três armaduras diferentes e com três cavalos diferentes (um pra cada dia) e enfim revela ser um príncipe e consegue a mão da princesa.

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Isso é um resumo bem pobre da história, que é cheio de detalhes complexos e cada um desses detalhes é importante para a análise de Robert Bly sobre a masculinidade. A começar pela descoberta de “João de Ferro” ou o “Homem Selvagem” como Robert Bly chama e a saída do lar familiar.

O primeiro passo para um garoto se tornar um homem é conhecer o “Homem Selvagem” dentro de si, conhecer o seu lado selvagem, bruto, agressivo, tão escondido e aprisionado pela sociedade moderna e que só pode ser conhecido, de verdade, com a ajuda de um mentor. Eis a necessidade do rito de passagem.

Mas não termina por aí, porque a vida de um homem não é só selvageria, embora esse seja um fator de extrema importância. Robert Bly defende a tese de arquétipos de masculinidade, o Selvagem sendo apenas uma delas, a mais antiga, sim, mas apenas uma. Em seu livro ele ainda explora o rei e o guerreiro, deixando, infelizmente, de lado, o amante, que não se encaixa na história de “João de Ferro”, no entanto, devemos lembrar que essa é uma história sobre iniciação.

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Para a alegria dos leitores, R. Bly ainda dá dicas de como exercer de forma prática essa iniciação na masculinidade, mostrando como isso pode ser simples (um final de semana entre pai e filho pode ser o suficiente) e reforçando a importância das mulheres nesse processo.

Mas ao longo de suas mais de 200 páginas, conforme o livro vai se afastando do “Homem Selvagem” para explorar outros arquétipos, ele se torna mais subjetivo, o que pode ser um defeito, mas é passageiro.

Enfim, “João de Ferro” é um clássico que serviu como base para muitos estudos sérios sobre os homens. É um livro essencial tanto para homens, quanto para mulheres; é um livro que expande horizontes e nesta segunda lida do livro, ele representou um grande marco para mim, pois me fez entender o caminho que trilhei até aqui e o que deve fazer em seguida.

Extremamente recomendado!

4 pontos e meio

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