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Dica musical: “DAMN.” de Kendrick Lamar (2017)

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E Kendrick lançou, finalmente, o sucessor de “To Pimp a Butterfly”, num momento oportuno, após lançar algumas canções, um EP/mixtape de canções que “sobraram” de seu Magnum opus e apresenta um trabalho conciso, abaixo do esperado, porém interessante e louvável como todos os seus trabalhos devem ser.

“DAMN.” é um álbum difícil de ser explorado, ele é muito mais conciso, pessoal, introvertido e obscuro do que os outros trabalhos de Kendrick. Suas letras são bem pesadas, recheadas de questionamentos, respostas agressivas às diversas polêmicas que envolveram seu nome no passado (como o infame caso da Fox News que usou uma apresentação sua para dar fôlego a um discurso todo errado sobre racismo e a influência do rap na cultura jovem estadunidense) e negatividade, mas não no sentido puro da palavra. Como tudo que Kendrick faz, aqui também há uma ambiguidade gigantesca e, ouvindo por cima, o ouvinte não capta todo o peso e negatividade que está inserida nesse álbum, apesar de a própria capa já indicar isso, ao apresentar Kendrick cabisbaixo, com um olhar desolado e sua primeira canção apresentar a história que irá conectar todas as músicas do álbum e já começa com ele morrendo.

A questão que eu estou querendo chegar é a de que esse álbum pode divertir, superficialmente, pra quem curte rap em suas formar mais tradicionais. Não que a sonoridade do álbum seja tradicional ou “pra cima”, mas ela é cheia de experimentalismos e certos maneirismos típicos do rap que um amante do estilo musical vai facilmente gostar e sacudir a cabeça ao som das batidas.

Nesse álbum, infelizmente, Kendrick abandona todo o estilo jazzístico que existia em seu álbum anterior, não há uma banda por trás dele, com músicos virtuosos, criando melodias arrasadoras, mas isso não é de todo mal, porque os experimentalismos que Kendrick faz, utilizando elementos mais contemporâneos, como as batidas graves distorcidas que fazem o nome do Death Grips, aliados a elementos bem mais “clássicos” (dentro do rap), como os scratches de discos, dão um ar fresco ao álbum, como se houvesse algo de novo ali, apesar de não existir. É só que eles estão organizados de forma tal que a harmonia que se cria soa nova.

Além disso, o conceito que une todas as músicas é surpreendente e é algo que só é compreendido quando se chega ao final do álbum. É incrível como Kendrick Lamar consegue fazer tanto sucesso comercial navegando contra a corrente mais comum do mundo da música de hoje, que é a de dar valor total ao álbum como um todo. Não são apenas músicas que entretêm, é um álbum todo criando um conceito e tentando transmitir uma mensagem, ou melhor, expor os questionamentos de seu criador.

Infelizmente, isso tudo, apesar de ser muito louvável, não consegue segurar o álbum, porque não tem tanta harmonia, nem uma mensagem tão concisa, nem técnica aprazível ou um conceito que já não foi explorado um bilhão de vezes em todas as mídias possíveis, ficando, assim, muito aquém do esperado para ser o sucessor de “To Pimp a Butterfly”, que é, provavelmente, o melhor álbum de rap da década.

2 pontos e meio

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