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Dica Musical: “Flying Microtonal Banana” de King Gizzard & The Lizard Wizard

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Já falei dessa banda aqui, mas foi na fase em que eu já não estava mais tão afim de escrever posts aqui, então vale dar uma aprofundada em quem eles são.

O King Gizzard & The Lizard Wizard é um hepteto de Melbourne, Australia, ou seja, uma banda de 7 pessoas fazendo um rock psicodélico com motivações conceituais por trás de cada um de seus 9 álbuns. O último deles, do qual vou falar hoje, é o “Flying Microtonal Banana”, um álbum que tem como principal motivo de existência uma guitarra modificada do guitarrista e vocalista da banda em microtom.

Microtom é um intervalo menor que um semitom, algo não encontrado tradicionalmente na música ocidental e que para um leigo como eu ou você quer simplesmente dizer que o som produzido pela guitarra dele é mais agudo do que o normal. Já se perguntou porque aqueles músicos indianos tocam uns instrumentos com tantas casas no braço, produzindo um som tão agudo? Pois é, em parte é por causa dos microtons, eu acho.

Mas enfim, como um instrumento afinado em microtom só pode ser tocado por outros instrumentos afinados em microtom, o vocalista da banda pagou para os outros integrantes conseguirem instrumentos modificados também e assim eles arranjaram mais guitarras microtonais, baixos microtonais e uma gaita afinada em microtom. Alia-se a isso uns sintetizadores, dois bateristas, percussão e um tradicional instrumento de sopro da Eurasia central chamado Zurna e voilá! Nasceu “Flying Microtonal Banana”.

Ao contrário de “Nonagon Infinity”, cujo conceito era fazer um álbum em loop, que poderia ser tocado sem parar que você não saberia o começo, o final, nem quando ele começou a tocar primeiro, aqui a ideia principal é menos estrutural e mais sônica. Qualquer coisa que eles tocassem seria diferente e isso abre espaço para as letras se desenvolverem e as músicas se expandirem sozinhas.

As letras apresentam uma miríade de temas, mas todas compartilham um senso narrativo bem solto, porém notável, em que é percebido personagens se extasiando com acontecimentos brutais ou apocalípticos, assustadores e grandes demais para que eles pudessem existir. “Melting” é um bom exemplo ao nos apresentar um personagem elaborando um discurso sobre o aquecimento global e se forçarmos um pouco a barra podemos imaginá-lo no centro dos acontecimentos da canção seguinte “Open Water”, em que ele se encontra assustado com o derretimento das calotas polares e não reconhece mais a terra à beira-mar onde vive.

As canções também respiram entre si, o que quer dizer que há um intervalo entre elas para que os temas possam se assentar. Em “Open Water”, por exemplo, somos apresentados, primeiro, ao som de ondas se chocando. Além disso, há uma grande variação de influências para cada uma das nove canções, do High-Life a trilha sonora de Spaghetti Westerns. Com seus instrumentos singulares, todas essas influências ganham um novo fôlego e evoluem naturalmente sob as asas de King Gizzard & The Lizzard Wizard.

Enfim, “Flying Microtonal Banana” é um projeto ambicioso e bem sucedido, mas é apenas um quinto do que a banda prometeu nos apresentar esse ano, aumentando a expectativa e o padrão para o que está por vir. Esperamos que eles consigam manter o nível de excelência e a criatividade no mesmo patamar.

4 pontos

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