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Dica musical: “Near To The Wild Heart of Life” do Japandroids (2017)

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E após 3 anos, Japandroids, uma das melhores bandas de rock dos últimos tempos, volta com um excelente terceiro álbum, amadurecendo de verdade o seu som.

“Near To The Wild Heart Of Life” é um álbum diferente de todos os outros álbuns do Japandroids, existe uma ampla gama de instrumentos aqui, existem elementos eletrônicos e backing vocals femininos, mas além de tudo isso, o aspecto mais importante nesse álbum é o amadurecimento que suas letras entregam.

Esqueça os excelentes “Oh Oh Oh’s” e “Ah Ah Ah’s” presentes em quase todas as músicas do grupo, não há muito espaço para isso aqui, mas conheça o lado mais intimista da banda, ao nos apresentar, na segundo verso da primeira canção a palavra “I”. Em “Celebration Rock” leva quase meia hora para Brian King soltar o primeiro “I” e o segundo só vai chegar no final do álbum. O que isso significa? Eu não sei direito, mas intimista não é. Japandroids ficou conhecido por lançar hinos, suas canções sobre cerveja, festa, cigarros e mulheres eram feitas para marmanjos ficarem se debatendo na frente do palco, dando mosh pits por cima de todo mundo, sorrindo, gritando e contando piadas ofensivas uns para os outros, não era música pra te fazer pensar muito, apesar de que os elementos “conceituais” constituintes de Celebration Rock te deixar meio contemplativo. Mas a presença constante da primeira pessoa do plural nesse álbum mostra algo que poucos artistas almejam de verdade hoje em dia: o amadurecimento pessoal.

As letras em “Near to the Wilf Heart of Life” tratam de relacionamentos perdidos, a descoberta da força de vontade através da amizade, a solidificação da masculinidade e arrependimento, também. É preciso ter muito culhão pra entender tudo isso e é preciso de mais ainda pra conseguir expressar isso artisticamente. Hoje em dia, a arte tem muito disso, o eu vem sempre em primeiro lugar, mas poucos artistas se expressam bem ou tem a maturidade para expressar isso. Japandroids esperou mais de uma década pra poder ousar fazer isso, eles seguiram o caminho dos grandes artistas, descobriram seu espaço em “Post-Nothing”, mudaram toda a mobília desse espaço, expandiram-no e o iluminaram em “Celebration Rock” e agora que puderam parar pra descansar, olharam para dentro de si mesmos. É o caminho de todo grande artista.

Não apenas conceitualmente ou liricamente o álbum é diferente de seus antecessores, mas é musicalmente também. “Near to the Wilf Heart of Life” apresenta elementos eletrônicos para reforçarem a atmosfera claustrofóbica em músicas como “I’m sorry (for Not Finding You Sooner” ou “Arco f Bar” e um violão (elemento acústico, olha só) em “True Love And a Free Life Of Free Will”, além é claro da presença de vocais femininos, no entanto ainda é Japandroids e isso é mais uma característica de grandes artistas. Eles conseguiram evoluir e mudar sem se perder no meio do caminho, como acontece com a maioria dos artistas hoje em dia.

Enfim, “Near to the Wilf Heart of Life” é mais um ótimo álbum dentro da fantástica discografia que o Janpandroids está criando e só me deixa ainda mais curioso com o que está por vir.

4 pontos

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