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Dica cinematográfica: “Mind Game” (2004)

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Acabei de assistir esse filme e ainda estou processando todas as informações, mas estou extasiado, então preciso escrever isso.

O post de hoje é sobre o filme de animação “Mind Game” de 2004, baseado no mangá de mesmo nome criado por Robin Nishi. É animado pelo mesmo diretor de “Ping Pong” e “Tatami Galaxy”, Masaaki Yuasa, um dos melhores diretores de animação vivos, sem sombra de dúvida. Pelos outros trabalhos do diretor, já dá pra esperar algo, no mínimo, intrigante.

Mas “intrigante” é muito pouco pra descrever essa obra de arte.

O filme acompanha Nishi, um mangaká de 20 anos de idade de Osaka, que está prestes a se mudar para Tóquio numa noite estranha em que ele encontra, por acaso, uma antiga amiga de infância (e sua paixão de sempre) Myon no metrô. Após isso, os dois decidem ir até o restaurante da família dela para jantar. Conhecemos a irmã de Myon e seu pai, além de dois obscuros homens que parecem pertencer a Yakuza. A partir daí a história segue por caminhos diversos e bizarros, envolvendo reencarnação, perseguição de carros, muitos tiros, uma baleia gigante e um ermitão.

Logo na apresentação do filme (o seu prólogo, talvez) percebemos que esse não será um filme convencional. Acompanhamos uma série de pessoas e acontecimentos, alguns envolvendo os personagens do filme, a maioria apenas imagens que mostram a vivacidade do mundo em que vivemos, lembrando um pouco a abertura do filme de Cowboy Bebop. A animação não é muito convencional, optando por esquemas de cores monocromáticos e o uso de ângulos pouco utilizados, inclusive o uso de primeira pessoa. Ainda nos primeiros minutos de filme, vemos a animação dar espaço para diferentes estilos de animação, 2-D, 3-D, rotoscopia… e se você não gosta disso, então não assista esse filme, pois só piora.

Ao longo da película, as diferentes técnicas de animação passam a ser utilizadas para explorar o estado de espírito de seus personagens, reforçando a subjetividade da história, deixando de conta-la de maneira linear, para dar espaço ao espectador de interpretá-la da forma como quiser. A narrativa é dispersa, mas imersiva, pois a animação (fluída e atraente) chama a sua atenção, mudando os pontos de vista da ação, criando situações bizarras e soluções mais bizarras ainda, indo e voltando no tempo, além de jogar na cara do espectador os elementos subjetivos que os personagens estão passando (ao invés de simplesmente nos apresentar o que eles estão pensando com falas de pensamento, o diretor nos mostra com cenas, o que eles estão pensando e isso, eu acho, muito louvável).

Não é um filme fácil, pois ele não te entrega as respostas na sua cara, no entanto, te satisfaz pois é um “exploitation de arte” (ou um art porn, se você preferir). Ele enche os seus olhos e te deixa extasiado com o que te apresenta. Todos os elementos trabalham em conjunto para isso, da animação impecável e diversa a trilha sonora, tão diversa quanto os elementos de animação utilizados, podendo ser classificada, no máximo (forçando bastante mesmo) como um fusion jazz, mas existem canções que fogem ao sub-gênero.

Sendo tão diferente, com uma história tão instigante e ainda assim envolvente, “Mind Game” é uma pérola dos filmes de animação, uma verdadeira obra de arte!

5 pontos

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