arte · dica · filme · Uncategorized

Dica cinematográfica: “Creed” (2015)

creed_poster_by_sahinduezguen-d99fk7g

Então, eis que eu finalmente resolvo assistir “Creed” e me surpreendo muito ao me deparar com um dos melhores filmes de luta que eu já assisti.

Apesar de todas as críticas positivas que eu ouvi por aí, li pouco sobre o filme e comecei a assisti-lo sem saber o que esperar. Por essas e outras, o filme acabou me pegando de jeito numa história de superação sensacional, dramática, um apurado senso estético vindo de um jovem de diretor que sabe o que faz, ótimas interpretações de seus excelentes atores e umas cenas de luta fantásticas de tirar o fôlego, além de uma narrativa extremamente bem guiada e equilibrada.

“Creed” conta a história do filho de Apolo Creed, Adonis, vindo de um relacionamento extraconjugal, o menino é criado pela mulher de Creed numa mansão, não é mostrado no filme, mas é indicado que nada faltou ao garoto em sua vida, nem dinheiro, nem afeto familiar e ainda assim, Adonis desiste de um bom emprego para ir morar na Filadélfia e treinar para ser um lutador, como seu pai foi. Lá, ele encontra a lenda viva Rocky, vivendo solitário num apartamento em cima de seu restaurante, que outrora fora da sua mulher, mas que após o falecimento da mesma, Rocky toca o estabelecimento sozinho, enquanto seu filho mora no Canadá com a namorada. Após umas boas insistências de Adonis, Rocky decide começar a treinar o garoto para ser um lutador de boxe tão bom quanto seu pai.

Tudo neste filme é brilhantemente guiado. Apesar da premissa “caça-níquel” própria de Hollywood, seu diretor e realizadores (isso inclui não só o Sylvester Stallone, como também Ryan Googler, o excelente diretor desse longa, além dos atores, que realmente se dedicaram para fazer um bom filme, Michael B. Jordan – sempre excelente – eTessa Thompson) fizeram deste um dramalhão impecável. Desde o momento em que Adonis é adotado, ao momento em que ele abandona o emprego e vai morar em Filadélfia e dali em diante, o filme é um enorme crescendo de emoção e tensão em cada uma das histórias de seus personagens, minuciosamente explorados nesse filme. Nenhum, repito, NENHUM personagem nesse filme está aí para fazer volume (com exceção dos extras, claro). Até mesmo os antagonistas dos personagens principais ganham profundidade (o primeiro desafio de Adonis na Filadélfia é o filho de um amigo de Rocky que insistiu a vida toda para o ex-lutador treinar seu filho e quer, além de manter seu recorde invejoso de vitórias, provar para o Rocky que é mais digno de nota do que o filho de um ex-lutador famoso já falecido e o segundo lutador é um cara tão fudido da vida que não tem como você assumir lados na luta dos dois). Adonis, inclusive, é um tremendo playboy e o filme deixa isso claro em todos os momentos do filme, então não se trata de uma história que segue a clássica “jornada do herói”, já que Adonis já começa o filme como um campeão, ou pelo menos, sentindo-se um, é mais uma história de redenção, nos moldes de “João de Ferro”, em que o personagem principal se afunda e depois se levanta, descobrindo sua verdadeira força interna, aprendendo a humildade que todo homem de verdade deve ter no caminho, aprendendo a se controlar, respeitar os outros e os seus adversários também. O final, anticlimático, pode até ofender o espectador mais ingênuo, no entanto, é excelente para aqueles que aprenderam a ler as entrelinhas, quase me levando as lágrimas.

Os atores estão excelentes em seus papéis, Michael B. Jordan, que fez o lastimável “Quarteto Fantástico” merece muito mais destaque do que está recebendo, o cara é um monstro da atuação e se você tem dúvidas, vá assistir “Fruitvale Station” (dirigido pelo mesmo diretor que Creed inclusive) e sua química com Sylvester Stallone faz você pensar que os caras são tipo pai e filho na vida real mesmo, simplesmente fantástico. O brucutu inclusive consegue até enganar nesse filme, quando a história começa a dar um pouco mais de atenção para ele e mostra o seu drama pessoal, revelando que não é só Adonis quem tem que enfrentar uma luta de superação nesse filme. Tessa Thompson surpreende demais, Anthony Bellew também e até Phylicia Rashad merece atenção especial.

Quanto ao aspecto técnico, esse filme é impecável. Além da direção, todo o trabalho de arte, fotografia, ambientação, montagem, jogo de câmeras, edição, é tudo muito bom. Apesar de ser um típico “caça-níquel” Hollywoodiano, Ryan Coogler tem um olhar artístico especial, dando uma boa encorpada nesse filme. Você nota que esse não é um filme qualquer na luta de Adonis no México, uma sequência extremamente bem dirigida, te dando a sensação caótica que lutas clandestinas devem ter, mas sem bagunçar a sua cabeça. As cenas noturnas no meio da cidade são belas, simplesmente e a sequência final, é brilhante, dando todo destaque para os dois lutadores no ringue, mas sem te deixar esquecer que há centenas de pessoas em volta e ainda assim, você irá se lembrar nitidamente dos dois lutando.

Enfim, eu poderia ficar dissecando esse filme parágrafos e mais parágrafos, poderia fazer um texto de 1000 palavras para cada cena da película, mas é como diz o velho ditado: “uma imagem vale mais do que mil palavras”, então eu deixo aqui a minha dica, quase um suplíca; assista essa obra. É fenomenal.

4 pontos e meio

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s