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Dica cinematográfica: “Réalité” de Quentin Dupieux (2014)

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Quentin Dupieux é um artista francês que usa a alcunha Mr. Oizo para criar música eletrônica. De “cara limpa”, ele se apresenta como um diretores mais criativos em atividade. Rubber foi o filme que o apresentou ao mundo, usou do gore, o humor negro e o trash para criar um filme cheio de camadas que até hoje surpreende as pessoas. Wrong não seguiu o mesmo caminho de Rubber, mas segue na linha própria de Dupieux, onde as coisas acontecem por nenhuma razão, fortalecendo esse gênero que existe em si mesmo. Wrong Cops foi onde ele errou a mão, decepcionando um pouco, mas não é descartável, embora não seja admirável, de forma alguma. Em “Réalité”, Quentin Dupieux cria o seu melhor filme até agora, dando um passo além do elemento principal do gênero que ele deu origem.

O filme conta a história de Jason, um cameraman que passou dois anos criando um filme de terror. Quando ele finalmente o termina, decide apresentá-lo a um produtor poderoso, que adora a ideia, mas diz que Jason esqueceu de um elemento importante para o seu filme: o “grito”. Então, Jason sai a procura do “grito perfeito” para o seu filme, num prazo de 48 horas.

A sinopse faz o filme parecer mais simples do que ele é, embora se apresente muito verossímil até uns 30 minutos de filme, em que somos apresentados a diversos personagens que compõem toda a história. Personagens que surgem como principais da história, depois são revelados como personagens compêndios para apresentar de forma original os personagens principais. Cada qual existindo isoladamente em seu próprio universo, sua própria realidade.

O problema é que as diversas realidades começam a se misturar, numa cena que requer um certo conhecimento anterior do espectador para saber em que hora o filme está quebrando a quarta barreira, gerando uma metalinguagem (só para explicar, um ano antes do lançamento desse filme, foi lançado um filme italiano com o mesmo nome, com estreia no mesmo festival no qual esse filme estreiou, mas Quentin Dupieux já havia terminado o roteiro, estava filmando e não se importaria nem um pouco com isso, mas achou legal fazer uma piada interna no meio do filme) típica de todos os filmes do diretor.

No final, é um filme confuso, que precisa ser assistido mais de uma vez para que você comece a entendê-lo, mas eu conheço o Quentin Dupieux e sei que não faz sentido tentar achar sentido em seus filmes, afinal, há todo momento, você consegue ver o elemento mais importante do cinema em suas cenas, diálogos e jogos de metalinguagem: o “No Reason”.

5 pontos

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