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Dica cinematográfica: “Himizu” (2011)

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“Himizu” é um filem dirigido por Sion Sono de 2011. Li em algum lugar que trata-se da adaptação de um mangá de mesmo nome, mas como não li o mangá, não irei fazer comparações e resenharei apenas o filme, independente de ser uma adaptação fiel, ruim ou não. De qualquer forma, ao contrário do resto da filmografia do diretor, este é um dramalhão sincero e tocante, com uma mensagem metalinguística arrepiantemente inspiradora.

O filme conta a história de Sumida Yuichi, um garoto normal que não tem expectativa nenhuma para o seu futuro, além de tocar o negócio da família, uma “empresa” de aluguel de barcos, que é, na verdade, uma casinha com alguns barcos a disposição na beirada do lago da cidade onde mora. Sua mãe sempre chega em casa com algum homem diferente e seu pai só volta para casa para pedir dinheiro emprestado ao garoto. Keiko Chazawa estuda na mesma classe que Sumida e é apaixonada por ele. Tentando se aproximar do garoto, descobre que a mãe dele sumiu com um homem levando todo o seu dinheiro e um mafioso aparece atrás do pai de Sumida, cobrando uma dívida de seis milhões de ienes. Aos poucos, Sumida começa a mudar, mesmo com o apoio de seus amigos perdedores (um grupo de desalojados que moram em cabanas no quintal da casa de Sumida) e Keiko, caminhando cada vez para um destino trágico.

Num primeiro momento, o dramalhão gera um estranhamento no espectador acostumado com as pirações de Sion Sono, no entanto, todos os elementos de seus filmes estão ali. O enquadramento e o arranjo do cenário perfeccionistas, a distribuição de tempo de filme para os diversos personagens, dando tempo de explorar a personalidade de cada um e, é claro, os elementos absurdos que dão um característico humor negro a toda a película. Sendo assim, apesar de ser um dramalhão bem longo (são mais de duas horas), o filme não cansa e há surpresas a todo momento.

A mensagem metalinguística do final é mais facilmente compreendida quando se conhece a história por trás das filmagens. O projeto de adaptar o mangá (que, pelo que li, conta com um cenário pós-apocalíptico) estava na cabeça de Sion Sono por muito tempo, mas ele parecia não encontrar motivos para prosseguir com o projeto (problemas criativos, além de financeiros, já que o filme teria que contar com um alto orçamento). No entanto, quando terremotos destruíram a costa do Japão em 2011, ele encontrou não só o motivo, como o cenário ideal para filmar “Himizu”.

Ao final, Sion Sono não apresenta uma belíssima mensagem de superação e motivação, de forma tocante e genial, sendo capaz de tirar algumas lágrimas de almas mais sensíveis.

5 pontos

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