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Dica cinematográfica: “Why Don’t You Play In Hell” (2013)

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Mais um filme do meu diretor favorito de todos os tempos, Sion Sono, dá o ar da graça no blog e esse filme é ao mesmo tempo uma paródia, uma homenagem e uma crítica ao cinema de vanguarda, o cinema japonês e todas as suas influências.

Há uma guerra rolando na história de “Why don’t you play in Hell?”, mas essa guerra entre yakuzas não impede que os Fuck Bombers, um grupo de cineastas juvenis de vanguarda de produzir a sua obra prima que entrará para a história do cinema (mesmo que essa ideia não tenha saído da mente do líder do grupo em 10 anos). 10 anos atrás, um sub-chefão yakuza chamado Muto liderou uma invasão a casa de seu inimigo, Ikegami, apaixonando-se platonicamente pela sua filha, Mitsuko, uma aspirante a atriz. Após vingar-se, a esposa de Ikegami foi presa e 10 anos depois, tudo o que o líder yakuza deseja é produzir um filme, em que sua filha seja a atriz principal, para apresentar à sua esposa, no dia em que for libertada. Após uma série de eventos extremamente suspeitos, os Fuck Bombers se preparam para gravar a batalha sangrenta final entre duas gangues yakuzas em fenomenais 35 mm.

De acordo com Sion Sono, é um filme cheio de similaridades com Kill Bill (e de fato há alguns pontos em comum aqui), mas toda a estrutura lembra os filmes independentes produzidos nos anos 90, como “Sexo, mentiras e videotape”, “Pulp Ficiton” e “Jovens, loucos e rebeldes”, mas indo além, criando uma espécie de metalinguagem, onde as filmagens feitas pelos Fuck Bombers se confundem com a realidade do filme e alguns elementos, que não estão na tela à toa.

Fora isso, é um filme que, apesar de longo, e apresentar uma história cheia de ramificações que se misturam e se completam, não perde o ritmo e nem perde o espectador, que em nenhum momento fica confuso. Muito pelo contrário, o filme até engana o espectador, jogando, vez ou outra, um elemento clichê, fazendo o espectador imaginar o que virá a seguir, mas apresenta um resultado completamente diferente do esperado.

Não há muito o que se discutir do andamento do filme, qualquer ponto contado levaria muito tempo para ser explicado, já que cada cena está intimamente conectada com o resto do filme, sobrando apenas contar que o filme é extremamente bem dirigido, usando takes e enquadramentos soberbos, que enchem os olhos mesmo; sendo, também, um filme para ser admirado. Sion Sono é também um perfeccionista (percebemos isso quando reparamos no tempo que seus filmes perdem em pré e pós-produção), criando cenários ricos em detalhes e muito belos, contribuindo para a formação de seu universo único.

O final é uma chuva metalinguística otimista e engraçada, mais pela ironia e absurdo de toda a situação criada.

Enfim, “Why Don’t You Play in Hell?” é, na minha opinião, um dos melhores filme de Sion Sono e entra fácil na minha lista de favoritos de todos os tempos.

5 pontos

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