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Dica musical: “Tudo em vão” de Fábio de Carvalho (2015)

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Me deparei com esse álbum fuçando os reviews da semana no site da MonkeyBuzz e que surpresa boa descobrir um artista brasileiro tão bom.

Fábio de Carvalho é um compositor/cantor/guitarrista mineiro de apenas 18 anos e que lançou esse ótimo álbum no final do mês passado.

É difícil falar desse álbum, por que, na real, é uma bagunça, como já é de se esperar vindo de um adolescente que faz terapia e teve seu primeiro ataque de ansiedade ano passado. Na verdade, há um certo imediatismo que só pode ser encontrado em mentes juvenis, mas que não são propriamente rebeldes. De fato, não há muito rebeldismo, apesar de haver uns atos fora da lei aqui e ali (como fumar maconha e se embebedar a madrugada toda), mas nada rebelde e contra cultura, de verdade (afinal não há nada mais encravada na cultura popular do que fumar maconha e se embebedar a noite toda, achar que isso é contra cultura ou rebelde apenas demonstra uma ingenuidade sem fim).

Esse imediatismo fica claro em diversos momentos do álbum, da composição das letras até a sonoridade em si, que é bem lo-fi, me lembrando dos bons tempos de Wavves, mas ao mesmo tempo com umas pitadas de bossa nova e até jazz, com uns acordes mais elaborados e melódicos, fazendo o Fábio ser mais fácil de ser comparado com caras como King Krule.

No entanto, ao contrário do ruivo britânico, não há muito planejamento nesse álbum e isso fica claro conforme nos aproximamos do fim dele e nos deparamos com letras mais truncadas, como se o cantor estivesse forçando (e ele está) uma letra a encaixar em uma melodia.

Ainda assim, é um ótimo álbum, afinal o imediatismo, as letras e a bagunça lo-fi que acompanham ele todo faz “Tudo em vão” soar como um grito desesperado de um pedaço deslocado de uma geração que parece perfeita demais. Algumas passagens deixam esse sentimento claro, como quando o eu-lírico (podemos chamar assim?) se assusta, enquanto passa mal e seus colegas riem ou quando ele se admira e se apaixona por um belíssimo nascer do sol, mas ninguém partilha dessa mesma emoção. É uma alma que não se encaixa de verdade nessa realidade, mas é uma realidade com espaço para todos, mesmo que não seja o espaço que todos querem ou desejem.

Enfim, é um álbum que alimenta muito os seus pensamentos, apesar de ser meio imaturo, mas isso não é problema, de forma alguma, para quem se identifica, ao menos um pouco, com os relatos intimistas de Fábio de Carvalho.

4 pontos

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