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Dica musical: “Goon” de Tobias Jesso Jr. (2015)

packshot2Ouvi o álbum de estreia de Tobias Jesso Jr. logo quando saiu, mas não gostei muito das canções, embora tivesse achado uma das demos que ele lançou no youtube muito boa e por isso adeixei no meu celular. No entanto, quando fui escutá-la, não a achei tão legal assim e acabei deletando-a. Meses depois, a Pitchfork lança um excelente documentário acompanhando a sua apresentação no Conan e eu ouvi aquela música que tanto gostei de novo, descobrindo que ela fazia, na verdade, parte do seu álbum de estreia. Ouvi novamente o álbum, com mais atenção e descobri que a música era “Leaving L.A.” e até agora estou viciado nela.

“Goon” é um álbum extremamente pessoal, nos moldes de Natalie Prass, mas com um pouco mais de “consistência”,eu diria, já que é também um álbum que nos apresenta uma narrativa, que guia nossos ouvidos e atenção, além da sua sonoridade ser melhor trabalhada também.

Tobias Jesso Jr. é um músico que se mudou para a Califórnia no início de seus 20 anos, com o sonho de ser uma grande figura na cena musical de lá. Acabou que ele ficou trabalhando por anos e anos fazendo jingles para propagandas e esse tipo de coisa. Há alguns anos (2 talvez, não sei), ele voltou para sua terra natal, o Canadá, por que sua mãe estava com câncer (ela morreu) e também por que ele havia terminado com sua namorada (uma das cantoras do grupo Haim). Lá, ele começou a tocar teclado, pela primeira vez, após um sonho apocalíptico e sentiu-se tão inspirado que criou algumas músicas, postou-as no YouTube, seus amigos o incentivaram a continuar tocando e ele decidiu gravar um álbum, que gerou “Goon”.

Toda essa história está disposta no álbum, de forma não linear, algumas contando os fatos da forma como eles, supostamente, aconteceram e outras tomando liberdade para soar apenas como uma adaptação dos acontecimentos que se sucederam no período em que ele se desencantou com Hollywood e o período em que ele começou a elaborar suas primeiras canções nos teclados.

É um álbum muito bom e não se deixe enganar pela inexperiência de Tobias junto aos teclados. Ele pode nunca ter tocado em um até dois anos atrás, mas ele tem um talento natural para a coisa. Além de, como eu já disse, é um álbum muito bem trabalhado, com vocais de apoio e acompanhamento de percussão, instrumentos de corda (uma das canções é inteiramente tocada num violão) e instrumentos de sopro, o que disfarça a falta de experiência de Tobias, muito bem, por sinal.

Mas também é um álbum que requer um certo estado de espírito para ouvir, pois assim como Natalie Prass, Tobias não é um músico de seu tempo. Ambos soam como artistas que décadas passadas, ela como um cantora de singles e trilhas sonoras de filmes dos anos 20 ou 30 e ele como um pianista de alguma banda avant-garde dos anos 60 ou 70. Recomendo ouvir primeiro Natalie Prass, que faz uma música um pouco mais fácil e íntima de nós, público comum, e quando você já estiver perdidamente apaixonado pela voz dela, ouça “Goon” e encontre um caminho para seus sentimentos.

4 pontos e meio

Falaremos de Father John Misty depois.

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