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Dica musical: “Imbue” do The Early November (2015)

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The Early November é uma banda de Nova Jersey, EUA, formada no ano de 1999. Após algumas demos, lançaram em 2003 seu primeiro álbum, que fez um relativo sucesso na cena emo/hardcore/rock alternativo/pop punk a qual a banda pertence. Em 2006 lançaram um ambicioso álbum de três CD’s e logo após isso veio o hiato de 6 anos da banda. Em 2012, eles voltaram com “In Currents”, um excelente álbum para uma banda que não tocava junta há uma meia dúzia de anos, mas diante desse novo álbum, “In Currents” cai de joelhos, não passando de um bom disco.

“Imbue” é um álbum cheio de camadas, eu diria, cada uma mais “negra” que a outra, sendo melódico, romântico, agressivo e niilista, ao mesmo tempo, mas não de imediato. Cada camada tem seu momento ou canção e essa é uma ótima qualidade da banda, que sabe dar espaço para as diversas camadas de suas canções. A maioria delas começa de forma melódica, criando o ritmo aos poucos, até explodir em agressividade, com guitarras distorcidas, uma potente e marcante bateria e gritos do vocalista, muito mais sólidos do que no disco antecessor.

Essa constante quebra de ritmo é algo marcante do gênero pop punk e algo que foi sendo perdido ao longo dos anos. Acho que desde “Nothing Personal” (do All Time Low) eu não vejo um álbum tão bom vindo do gênero, aliás, “Nothing Personal” não chega aos pés de “Imbue”. A criação crescente de um ritmo que vai se tornando cada vez mais agressivo, até explodir em agressividade é algo que “In Currents” não tinha, nem o ritmo pop e pegajoso, nem a agressividade furiosa deste álbum. Em alguns momentos, o vocalista parece estar não só gritando, como exorcizando demônios interiores numa explosão catártica de fúria.

Há algo de niilista nas letras das músicas, tratando desde de pressões externas, problemas com depressão e relacionamentos complicados, mas com uma maturidade atípica para o gênero. Em “Narrow Mouth”, o “eu-lírico” procura uma forma de lidar com as pressões que vive constantemente, enquanto que em “Cyanide”, ele mostra um ponto de vista esclarecido em relação ao seu modo melancólico de ver o mundo, dizendo que não é depressão, é só um modo diferente de ver as coisas. Uma espécie de filosofia realista-melancólica parece guiar as letras, algo que eu consigo me identificar muito fácil, pra dizer a verdade.

Desta forma, “Imbue” chega como uma das melhores coisas que já aconteceram na cena pop punk/emo/hardcore (e que ano para essa cena!), sendo uma pena que a banda seja tão “hipster”, ficando meio escondida, atrás de nomes que ocupam um espaço muito maior do que merecem nos sites de notícias musicais e streamings de músicas por aí. De qualquer forma, “Imbue” é um excelente álbum para a banda The Early November e um dos melhores CD’s que eu tive o prazer de escutar esse ano.

5 pontos

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