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Dica musical: “You can’t use my Name: Curtis Knight & The Squires (Featuring Jimi Hendrix) The RSVP/PPX Sessions”

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Este ano, mais um CD póstumo de Jimi Hendrix foi lançado, mas ao contrário das outras compilações que mostram músicas nunca lançadas ao público, ainda num estágio embrionário ou só ouvidas em poucas apresentações ao vivo, este CD nos mostra uma faceta nunca antes apresentada de Jimi Hendrix, a faceta de aprendiz, um músico excelente, porém controlado, esforçando-se não para ser o melhor e mais inspirador músico de sua banda, mas esforçando-se para não ser maior que os seus companheiros.

No meio dos anos 60, Jimi Hendrix trabalhou para diversos músicos na cidade de Nova Iorque, como uma forma de ganhar dinheiro, tocando em bares e casas de show diversas. Um desses artistas, Curtis Knight, um músico de blues, se interessou por Hendrix e deu a ele o espaço de guitarrista em sua banda de apoio, “The Squires”.

Na época, Hendrix estava tão quebrado que nem guitarra tinha, usando um instrumento emprestado por seu empregador.

Ao que tudo indica, os dois tinham um bom relacionamento, quase uma amizade, uma relação de mentor e aprendiz, tocando quase todas as noites juntos e passando muito tempo se divertindo em estúdio.

O resultado de dias e noites passando tempo nos estúdios é a origem desse álbum, que reúne, de forma nunca antes ouvida, todas as gravações que Curtis Knight & The Squires fizeram juntos com Jimi Hendrix, na guitarra.

Óbviamente, Jimi não é a figura central aqui, este é papel de Curtis Knight, o vocalista e líder da banda e este pode ser o principal ponto negativo e positivo do álbum.

Negativo, por que não ouvimos Jimi como nos acostumamos a ouvir. Aqui, ele é um mero guitarrista de blues, que nem é líder da banda, ele toca o que deve tocar, no tempo que deve tocar e sola quando lhe dão a oportunidade.

Jimi era um homem do blues, cresceu ouvindo o gênero, mas por diversas vezes, ele apresentou ser contrário à simples classificação de gêneros no mundo da música. Ele gostava de se sentir livre, misturando os gêneros na guitarra, tocando-a do jeito que melhor lhe agradava e foi desta forma que ele foi capaz de criar algo totalmente novo. Foi este o motivo dele ter impressionado tanta gente e ter se tornado o deus do rock, pai da guitarra.

Infelizmente, não vemos tanta inovação nesse álbum, no entanto, Jimi Hendrix é Jimi Hendrix e tanto talento não pode ser escondido, por melhor que seja o vocalista.

E é isso que acontece nesse álbum, em diversas canções, a guitarra de Jimi Hendrix se sobressai aos vocais poderosos de Curtis Knight, dando mais ritmo, mais poder e, por vezes, se torna a figura central da música, mesmo que por alguns segundos, apenas. E essas acabam sendo as músicas mais interessantes do álbum.

Mesmo quando Jimi Hendix não está na frente, assumindo um papel de líder (que ele odiava assumir), Jimi estava ali, marcando a sua presença com grande intensidade, lembrando a todos que ali estava um artista completo, um ser pertencente a um outro nível de excelência, até hoje, impossível de se compreender.

4 pontos

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