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Dica literária: “Tekkon Kinkreet” (1993) de Taiyo Matsumoto

tekkonkinkreet-cover“Tekkon Kinkreet” ou, como foi traduzido aqui no Brasil, “Preto & Branco” é um mangá lançado entre os anos de 1993 e 1994, de autoria do genialíssimo Taiyo Matsumoto, autor de outras obras, já clássicas, como “Nº 5” e “Sunny”.

“Tekkon Kinkreet” se passa na cidade de Treasure Town, uma metrópole em constante expansão e cheia de elementos nefastos. No meio dessa selva cinza, dois irmãos, orfãos, Preto e Branco passam suas vidas arranjando brigas com outros delinquentes juvenis, roubando lojas e vendedores ambulantes, além de arranjar confusão com os policiais da cidade. No entanto, a vida deles começa a mudar com a volta de um mafioso poderoso chamado Rato e a chegada de um novo criminoso, que almeja dominar Treasure Town.

Este é, sem sombra de dúvida, o mangá mais famoso de Taiyo Matsumoto, apesar de só ter dado o devido sucesso ao seu criador depois do filme homônimo de 2006, mas isso é assunto para outro post. Neste mangá, Taiyo Matsumoto explora a relação de dois irmãos, órfãos, com a cidade e as pessoas à sua volta, crescendo sem um modelo para seguir, sendo forçados a aprender tudo o que sabem sozinhos, muitas vezes esquecendo as próprias ambições para continuar vivendo.

Trata-se de um mangá muito sensível e com uma grande carga dramática, na verdade, podendo ser dividido em duas partes principais; a primeira, centrada em Preto, preenche os dois primeiros volumes do mangá e a segunda parte, centrada em Branco, preenche o terceiro e último volume do mangá.

Curto, porém profundo, “Tekkon Kinkreet” tem todos os elementos que consagram Taiyo Matsumoto como um dos melhores mangakas da história, cheio de influências europeias, ele fica perdido num limbo criativo entre mangás e graphic novels, contendo o melhor dos dois mundos. De um lado, a arte rápida e empolgante do mangá, do outro o roteiro bem elaborado, diálogos longos, cheio de uma certa aura intelectual dos quadrinhos europeus. Em alguns momentos, você se sente assisitndo a um filme do Godard, provavelmente pela ambientação numa metrópole moderna, deixando o mangá ser mais realista, um realismo fantástico, na verdade.

Há ótimas cenas de ação neste mangá também, muito bem desenhadas, com ceerta influência dos quadrinhos ocidentais do nosso continente.

Some-se a tudo isso, a genialidade de Taiyo Matsumoto, sempre encaixando “plot twists” imprevisíveis no meio da história, fazendo você se surpreender a cada capítulo que lê deste ótimo mangá.

Fortemente recomendado.

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