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Dica cinematográfica: “Interestelar” (2014)

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Finalmente assisti o tão odiado filme do diretor Christopher Nolan ou seria o mais novo filme do tão odiado Christopher Nolan?

“Interestelar” conta a história de Cooper, um piloto que vira fazendeiro após o planeta Terra inteiro entrar em colapso e toda a sua população, ou melhor, a maior parte de sua população se vê forçada a trabalhar com a agricultura para poder manter a espécie. O porém é que Cooper não aceita isso e nunca deixou de ser um entusiasta da ciência, mesmo com todo mundo dizendo que a ciência, os avanços tecnológicos e toda a história humana não passa de mitos e falsas esperanças completamente desnecessárias para a sobrevivência da humanidade. Um dia, ele acaba encontrando um drone indiano, supostamente desativado a anos, e isso o leva a descobrir que um grupo de cientistas se mantinha escondido, buscando um novo lugar para chamar de Terra, um novo planeta habitável. Cooper acaba se envolvendo com os cientistas e aceita a missão de explorar três planetas que poderiam abrigar a vida humana, mesmo sabendo que pode nunca mais ver seus filhos e enquanto isso, sua filha começa a sua própria jornada para salvar a raça humana.

Ao terminar de assistir o filme, eu posso entender por que esse filme é tão odiado e também o seu diretor. É simples, Nolan está no lugar errado. Ele é um desses caras que deveriam estar fazendo filmes para o TIFF ou para o Sundance, se encontrando pra tomar um café com Mike Cahill e não numa mega empresa como a Waner Bros. fazendo filmes com estréia mundial em Imax e o caralho a quatro, por que os seus filmes são para um público de nicho e não para o grande público, que está acostumado com blockbusters como “Os vingadores” e “Os mercenários”. As pessoas esperam que blockbusters sejam todos daquele jeito, mas o Nolan não faz filmes assim.

O fato de ter “explicação demais” não é um problema, até por que isso não é o foco do filme. O fato do Nolan ser arrogante, também não, afinal um filme é uma obra de arte e ele faz o que quiser com a sua obra de arte, sem se importar com o público mesmo, afinal a obra é dele.

No entanto, o filme tem sim o seu defeito. No singular mesmo, por que é apenas um. Um defeito que se Nolan fosse amigo de alguns comediantes poderia sanar sem maiores problemas: o “timing”, como foi brilhantemente exposto por Harald Stricker no cinecast de interstellar; o filme não “respira” em momento algum. São poucas as cenas que sofrem uma transição gradual ao longo do filme. Muitos diálogos são cortados bruscamente para que outro comece em outro núcleo de personagens do filme e isso é muito ruim, por que há diversas cenas tocantes ou impressionantes, mas que, pelo fato de haver esses cortes bruscos, o espectador não se dá conta do que aconteceu. O filme simplesmente não deixa a ficha do espectador cair, como na cena em que Cooper conversa com Mann (um dos cientistas que ele tinha que resgatar) e Mann expõe um diálogo incrível sobre o instinto de sobrevivência dos seres humanos e sua relação com os filhos. Era para ser uma linda linda, um desses diálogos que viram icônicos mesmo, todo o filme conspira para isso, mas não há tempo para que o espectador reflita sobre o que o astronauta disse. O filme corta para outro núcleo que já começa falando sobre a missão e cálculos, enfim, perde-se o momento.

E o filme já tem quase três horas de duração. Há muito conteúdo, há muito a ser explorado, é uma obra incrível e aí entramos na minha teoria de que “Interestelar” seria muito melhor se fosse uma trilogia. A própria narrativa conspira para isso; o filme dá saltos de tempo longos, os personagens envelhecem rapidamente e há diversos núcleos sendo trabalhados ao mesmo tempo, além dos temas explorados exigirem um certo tempo para serem completamente digeridos pelo espectador.

Enfim, o “timing” é o único defeito de “Interestelar” e que numa obra desse calibre se mostra um grande defeito e que estragou o que seria o filme perfeito. Ainda assim, é uma ótima película e pode servir como lição de como um filme também tem que “respirar”.

4 pontos e meio

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