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Dica cinematográfica: “O menino e o mundo” (2014)

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“O menino e o mundo” é um filme brasileiro de animação lançado nos cinemas nacionais no ano de 2014.

O filme conta a história de um garoto, que sentindo falta do pai, decide sair de casa para procurá-lo, descobrindo um mundo cheio de máquinas bizarras com aparências animalescas, sociedades futuristas e vidas de pessoas diferentes, com seus próprios dramas, hobbies, sonhos e esperanças.

O filme não tem falas, ou melhor, até tem, mas não são inteligíveis. Ainda não sei se eles falam alguma língua diferente, com a qual não estou familiarizado, ou se suas vozes são tocadas de trás para frente (opção mais plausível). Toda a história é contada sem que saibamos os nomes de seus personagens, alguns que mais parecem alegorias de tipos que encontramos no nosso mundo, como morador de favela que vai pro trabalho antes do sol nascer e só volta para casa depois que o sol se põe, até mesmo o pai do garoto, que é a personificação do homem do interior que vai para a cidade grande procurando uma oportunidade de melhores condições de vida.

No entanto, a falta de diálogos é compensada pela trilha sonora, simplesmente sensacional, com tons muito originais, em sua maioria instrumental (apenas uma canção é cantada, pelo incrível Emicida, também de trás para frente), traduzindo para os nossos ouvidos quais as sensações que o menino está sentindo em cada um dos momentos de sua aventura por esse mundo mágico.

Aliado à isso, está a arte do filme. É uma animação muito texturizada, seus personagens parecem terem sido desenhados com giz de cera, algumas partes do cenário parecem colagens de páginas de revistas e a movimentação de tudo é feita de forma a criar um ambiente lírico, aberto à imaginação do espectador, dando ainda mais originalidade à essa obra.

O único pecado que eu acho que a obra comete é ao querer aliar à ótima história uma crítica social, que, em alguns momentos, é clara e direta, como no momento em que o garoto pensa encontrar o seu pai, mas descobre estar vendo apenas uma multidão de homens iguais. No entanto, em diversos momentos a crítica torna-se confusa, como no final, em que duas aves gigantes brigam acima da cidade (esse momento é de fácil compreensão, mas uma das aves apresenta-se confusa para o espectador).

Felizmente, isso não prejudica de forma alguma o filme, que poderia muito bem existir sem essas partes.

O final também torna-se um pouco confuso para acompanhar, confesso que ainda não o entendi, mas quem disse que precisa-se entender o final de um filme para ele ser considerado bom ou não? Afinal, não é esse mistério, essa libertada dada à imaginação do espectador que faz filmes tornarem-se clássicos?

Enfim, “O menino e o mundo” é um ótimo filme, uma produção nacional digna de nota, que serve para ensinar à outras produções o que é um filme de animação bom, de verdade. Esse sim, merecia concorrer ao Oscar.

4 pontos e meio

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