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Dica musical: “Plowing into the field of love” de Iceage (2014)

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“Plowing into the field of love” é o novo álbum da banda punk/hardcore dinamarquesa Iceage, sucessor de “You’re Nothing”.

“Lord’s Favorite” foi a primeira música que ouvi desse novo álbum, junto com “Forever” e a primeira, sendo uma canção cheia de influências de country music, com uma letra, apesar de elaborada, soando como uma enorme piada e eu fiquei, profundamente, desapontado com essas primeiras canções, apesar de “Forever” ser uma excelente música, por que eu achei que eles iriam ser uma dessas bandas que começam incríveis e, sob o pretexto de estar amadurecendo e crescendo, acabam mudando completamente  a sua sonoridade, caindo no limbo da descaracterização completa, como aconteceu com Arctic Monkeys, por exemplo.

No entanto, já vimos bons exemplos de bandas que crescem e amadurecem e ainda assim continuam fiéis a sua sonoridade, avançando em níveis criativos, líricos e produtivos, citando nessa categoria bandas como Cage the Elephant e La Dispute.

E é com enorme prazer que eu consto que Iceage entra no segundo grupo, reforçando a tese de que essa é uma das melhores bandas de rock/punk/hardcore da atualidade, quiçá, da história.

A começar pela sua estratégia comercial, lançando “Lord’s Favorite” uma música ridiculamente ruim como o primeiro single do álbum, dizendo claramente para os fãs “ESSE NÃO É O ÁLBUM DE ICEAGE QUE VOCÊ ESPERA, ELE É DIFERENTE, ESPERE POR ELE SER DIFERENTE!” e logo as suas expectativas vão lá embaixo com isso, mas logo, em seguida, lançando uma música ótima como “Forever” e te deixando com uma pulga atrás da orelha, fazendo você questionar se esse será um álbum tão ruim como você esperava.

É uma ótima estratégia, principalmente, por que o Iceage não foi por caminhos tão diferentes assim. Tá certo, eles estão com uma sonoridade diferente dos primeiros álbuns, mas não é como se a banda tivesse sofrido uma descaracterização completa. Colocando em uma analogia fácil de se compreender, é como se antes a banda estivesse caminhando por caminho tortuoso, pisando em buracos, afogando-se em poças de lama, indo para o meio do mato ao lado da estrada, dando meia volta e repetindo o mesmo caminho todo de novo. Já neste CD, é como se eles estivessem seguindo pelo mesmo caminho, mas descoberto que ele faz parte de uma estrada muito grande, que segue ao lado de outras estradas também muito grandes, desviando dos buracos, pulando nas poças de lama para se sujar um pouco e tirando sarro daqueles que estão seguindo as outras estradas ao lado.

Sendo formada por caras em torno dos seus 20 anos, que viviam na Dinamarca, um país com um cenário musical muito sólido, é completamente plausível que só agora eles estejam descobrindo estilos musicais daqueles que os cercavam na capital dinamarquesa, como o jazz, ou mesmo bandas que poderiam muito bem ter servido como influências nos antigos álbuns do grupo.

A receita que todos gostamos da banda ainda está lá, os riffs de guitarra continuam caóticas, a bateria continua violenta e o baixo ainda continua marcante e forte em todas as suas canções, mas o vocal, antes ininteligível, selvagem e brutal, torna-se mais ameno com este CD, no entanto, não menos obscuro, afinal o vocalista da banda é dono de um belo barítono, algo que se destaca bastante nesse álbum, podendo revelar uma outra faceta das canções do grupo, uma faceta mais sombria, misteriosa e até assustadora. A mudança mais agressiva (compreenda isso em todos os sentidos) é o tempero usado pela banda, antes nem era presente, e agroa é marcado por pianos, trompetes e violões.

Todas essas mudanças abrem um novo horizonte para o som caótico, deprimente, até niilista da banda, sofisticando os seus arranjos, seus acordes, em suma, a sua sonoridade.

Para mim, “You’re Nothing” foi um dos melhores álbuns que já tive o prazer de escutar e achava difícil que o Iceage pudesse superá-lo,e ainda acho que não superou, mas em tão pouco, ver um lançamento tão bom e satisfatório como esse é, realmente, incrível.

4 pontos

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