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Dica cinematográfica: “City on Fire” (1987)

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“City on Fire” é um filme de 1987, criado por Ringo Lam, sendo o seu primeiro filme de sucesso que não seja comédia.

A história é centrada em Chow, um policial que trabalha infiltrado em grupos criminosos, mas faz amizade com um dos bandidos, que é morto poucos depois de descobrir que Chow era um policial infiltrado. Sentindo o peso da culpa sobre seus ombros, Chow pede dispensa do seu cargo, mas seu pedido é negado até que o distrito policial consiga prender um grupo de assaltantes de joalherias. Forçosamente, Chow aceita o trabalho, suportando a culpa e a tristeza que o consome. Enquanto isso, a polícia local vai fechando o cerco em torno do grupo, sem saber que Chow é um policial infiltrado.

Este é um clássico do cinema chinês (mais especificamente de Hong Kong), tendo sido um marco também na carreira de Ringo Lam, que até então só dirigira filmes de comédia e no ano de 1986 teve carta branca para criar o que ele quisesse. De sua mente genial, saiu este filme, que é uma obra fantástica, bebendo muito na fonte dos filmes noir, sendo isso marcado não só pelos temas envolvidos, mas também pela trilha sonora e a fotografia, muito boas por sinal.

O filme têm como protagonista um clássico personagem de filmes noir. Chow é um policial, com fantasmas de seu passado que o assombram constantemente e para se livrar disso, ele deixa seu tempo ser acumulado com trabalho (mesmo nos momentos em que ele deve se divertir, como quando vai ao bar, ele está trabalhando) e os poucos momentos de divertimento se resumem a dormir ou namorar (Eis também o motivo dele não querer assumir nada com a namorada, ele não quer mais uma responsabilidade em sua vida e talvez nem possa assumir algo como um casamento). Grande parte do filme vemos ele andando pelas ruas da cidade, com um cigarro na boca e olhar perdido no horizonte, sempre trabalhando, mas a passos lentos, desleixados, tentando livrar a sua mente das preocupações que o seu trabalho gera.

É um filme com um ótimo desenvolvimento de personagens, não só por parte de Chow, mas também pelos secundários. Seu tio, por exemplo, é um personagem muito interessante: Ele trabalha com Chow (é o chefe dele) e tenta agir como um pai para o policial, no entanto, devido a intimidade que existe entre os dois, Chow apenas o enxerga como um parceiro de trabalho ou, no máximo, um amigo mais velho conhecido há muito tempo. Outro personagem interessante é o novo chefe do distrito que trabalha junto com o tio de Chow e não pode saber que há um policial infiltrado no grupo; por essa razão, ele começa a perseguir Chow e o coloca como procurado número 1. O filme nos induz a sentir antipatia por ele, mas é impossível, pois sabemos que ele está apenas exercendo o seu dever.

Outro personagem interessante é um dos amigos criminosos de Chow, que ganha atenção apenas nos últimos momentos do filme, mas carrega uma carga dramática muito grande e a empatia do telespectador em relação à ele cresce ao longo do filme, mesmo sem sabermos qual a sua história.

Como dá pra perceber, “City on fire” é um filme com uma profundidade muito grande, mas também tem seus defeitos, em grande parte por querer tomar uma boa “liberdade poética” em toda a sua duração, com muitas cenas em que Chow fica andando pelas ruas sem rumo, além da narrativa que é bem arrastada.

No entanto, é um filme com inspirações noir afinal, ou seja, tem personagens muito interessantes, que compensam a lentidão do roteiro.

Em relação à fotografia, que eu já mencionei, está muito boa, com vários tons escuros e sombras, criando um clima urbano, porém com toques soturnos, fazendo deste um filme bem estiloso. A cena final é incrível, aliás.

A trilha sonora só complementa o filme, sendo guiada pela bom e velho jazz, muito saxofones e baterias aceleradas, criando o clime perfeito tanto para as cenas de ação quanto para as cenas mais melancólicas.

Enfim, “City on fire” é um filmaço, um clássico incrível do cinema chinês e, por que não, do cinema noir, afinal é uma história extremamente original, bem guiada, apesar das poucas falhas; mas que, de um modo geral, impressiona pela qualidade em todos os aspectos, tornando-se um desses vários casos em que o original é melhor que o remake.

4 pontos e meio

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