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Dica literária: “Ronin” (1983)

ronin

“Ronin” é uma HQ icônica criada por Frank Miller em 1983.

Conta a história de um samurai que perde seu mestre para o demônio Agat e se torna um ronin. Após a morte de seu mestre, ele corre atrás do demônio para matá-lo, mas os dois acabam ficando presos em uma espada. No final do século 21, em Nova Iorque, eles são libertados da espada por um cientista e o ronin acaba tomando o corpo de Billy, um homem sem pernas ou braços com poderes telecinéticos e que trabalha na empresa Aquarius, um enorme complexo criado no meio da cidade que serve para manter a população que vive ali dentro saudável e segura, longe dos males que assolam a cidade de Nova Iorque distópica do final do século.

É com essa história maluca que lhes apresento a dica de hoje. Ronin é icônico, todo fã de quadrinhos fala bem dessa HQ, que dizem ter sido inovadora para a mídia dos quadrinhos e uma das grandes responsáveis pelo quadrinho ser o que é hoje.

De fato, é em Ronin que percebemos muitas mudanças em relação à forma como os quadrinhos são feitos. Seja na forma como a narrativa é guiada, sem textos em off, com quadros mostrando apenas a movimentação de personagens, cheios de linhas de velocidade ou até mesmo na forma em que o traço é feito, bem rabiscado, sujo mesmo, buscando muita influência dos mangás.

E por falar em mangás, eis a maior influência em Ronin. Diz a lenda que Frank Miller só decidiu fazer Ronin, por que foi parar em suas mãos um exemplar de Lobo Solitário. Inclusive muitos quadros são idênticos ao do mangá de Kazuo Koike e Goseki Kojima, além do tema é claro. No entanto, é perceptível a influência de Katsuhiro Otomo em Ronin, principalmente em Billy, que lembra muito o velho maluco de Domu, mas também nos desenhos dos robôs e os cenários futuristas. Não é exagero dizer que Katsuhiro Otomo talvez seja a maior influência em Ronin e Ronin também é influência para Katsuhiro Otomo.

No entanto, Ronin não é nenhuma obra prima. A arte não é nada de extraordinária e o roteiro também não é grande coisa, ficando meio confuso ao longo da história e, por vezes, sendo chato. Aliás, esses são defeitos recorrentes nas obras de Frank Miller, mas que parecem não incomodar ninguém, além de mim.

Que Ronin é um clássico icônico, isso é verdade, mas ele serve mais como peça de museu, servindo apenas para mostrar o que os quadrinhos eram e no que eles se tornariam à partir dele.

3 pontos

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