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Dica literária: “Bidu-Caminhos” (2014)

Bidu-Caminhos-preview-8

Mais uma Graphic MSP foi lançada no mês passado. Desta vez, Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho tiveram a missão de apresentar a história, antes de virar história, do Bidu, o cachorro azul do Franjinha.

Nesta edição do projeto somos apresentados à história de como Bidu conheceu Franjinha, conhecendo a sua vida de cão vira-lata, fugindo da carrocinha, entrando em brigas com outros cachorros e morando num carro abandonado dentro de um terreno onde a entrada é proibida.

O mérito dessa grande história é a forma como a narrativa é guiada, sendo apresentada logo no início, de uma maneira fenomenal, o personagem, sua rotina e o ponto final onde a história irá chegar. Bidu nos fala, no final de mais um dia normal, que aquela história que ele está contando, é a história de como ele conheceu o seu melhor amigo, em uma introdução extremamente cinematográfica e, também, emocionante. À partir daí somos guiados por uma espécie de linha reta, em que mostra a trajetória de Bidu até conhecer o Franjinha, passando a morar num abrigo de cães, se perdendo no meio da cidade, encontrando outros cachorros os quais ele tem que ajudar e finalmente, concluindo a sua trajetória com um plano singelo, porém genial, de Franjinha, sem perder explicação com outros personagens e situações que podem parecer desnecessárias.

Esse é o grande trunfo da narrativa. São apresentadas personagens diversos, cada um com sua própria situação peculiar (um é um cão perdido, outro é um buldogue raivoso, um terceiro só quer aparecer), mas a história não deixa em momento nenhum de ser uma história do Bidu, tudo sendo mostrado à partir de encontros casuais com o cão azul, algo que pode ter sido feito propositalmente, pois em suas histórias o cachorro é meio egocêntrico, não dando muito espaço para outros personagens.

Já em relação à arte, o quadrinho também não deixa nada a desejar. A arte de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho é muito boa, utilizando arte digital feita apenas com software livres, os dois conseguem criar atmosferas muito boas para suas cenas, sendo tudo muito bem colorido e belo, ao mesmo tempo em que também é bem simples.

Outro ponto de destaque neste livro são as onomatopeias, que são tão importantes quanto a narrativa e a arte para o divertimento do leitor, afinal elas foram todas inseridas à mão, saltando dos quadrinhos, complementando a ação e complementando a narrativa de uma forma muito genuína e divertida.

Enfim, mais uma edição da Graphic MSP, mais um trabalha incrível, acima da média dos quadrinhos nacionais, feito com todo o esmero e atenção que esses personagens, que fizeram parte da vida de todo brasileiro, merecem.

4 pontos

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