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Dica cinematográfica: Godzilla (2014)

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Godzilla é um remake de um filme extremamente clássico de 1953, dirigido por Gareth Edwards, criado do também excelente Monstros.

A história de Godzilla todo mundo conhece, mas nesse filme ele não invade cidade nenhuma. Aliás, esse filme está mais para um releitura do que um remake, pois muda completamente a história, inclusive dá uma boa carga de anabolizantes ao monstro, que fica maior, muito maior e muito mais radical que o original. Nesse filme, Godzilla aparece para manter o equilíbrio entre os kaijus e o planeta Terra, surgindo após Moto, um monstro gigante alado que acorda no Pacífico e muda-se para o Japão, enterrando-se em uma espécie de caverna para crescer e despertar 15 anos depois.

Quando esse monstro acorda ele busca sua fêmea, que não é alada e foi levada para um deserto nos EUA quando ainda era um ovo, sendo misturada com outros restos radioativos. Esse ponto é inclusive algo muito interessante desse filme; no original Godzilla é criado após os testes nucleares no Pacífico, neste ele cresce após os testes nucleares e os kaijus todos comem material radioativo, escondendo-se sob a crosta terrestre por que é próximo ao centro da Terra que se concentra os materiais radioativos naturalmente encontrados. Com o desenvolvimento da tecnologia nuclear kaijus começaram a sair do centro da terra e a subir, apenas 2 são mostrados, mas são descobertos muitos ovos, que são destruídos.

A partir daí somos guiados ao encontro e inevitável confronto dos monstros gigantes, de forma épica por Gareth Edwards, que nesse filme já começa a apresentar o seu próprio estilo. A narrativa nunca é guiada do ponto de vista dos monstros, mas sim do ponto de vista dos personagens humanos, que podem ou não estar no centro da batalha, mas de uma forma ou de outra você compreende o que está acontecendo, mesmo que a ação seja usada como plano de fundo.

Isso é algo que foi criticado demais nesse filme, a criação gradativa do suspense. Nada é entregado de cara, tudo é mostrado de forma sutil e os personagens humanos, o drama deles, sua história acaba se tornando a casca por onde vemos o centro de tudo. No final, há a ação final e finalmente a batalha sangrenta dos monstros, mas por já ter sido tudo construído antes, a batalha final é rápida, irritando alguns. No entanto, ainda assim é épica, afinal o Godzilla desse filme é como um ursão gigante, musculoso, parrudo mesmo, sendo um lutador lento, mas poderoso, sem contar os seus raios laser atômicos, que, aliás, devem ser carregados, criando uma utilidade para as suas “placas” nas costas, fazendo referência à animais e dinossauros realistas.

A parte técnica é brilhante, como todo filme da Legendary Pictures, que têm uma qualidade de imagem impressionante, cheio de detalhes, cores minuciosamente escolhidas para complementar a atmosfera das cenas, criando o melhor filme de desastre que eu já vi, não exagerando na destruição. Sem falar na trilha sonora, que está soberba, contanto com muitos instrumentos tradicionais japoneses e a dose correta de elementos eletrônicos, também complementando para criar a atmosfera.

Se tem um ponto ruim, fica com os personagens humanos, que são clichês, típicos de todo filme de ação e de desastre, mas isso é algo perfeitamente perdoável, afinal o filme não se centra neles, ao contrário de “Monstros” do mesmo diretor, que se centra no relacionamento crescente dos personagens, enquanto muitas ações acontecem, mas sem a participação deles.

Enfim, Godzilla de 2014 é uma homenagem incrível à uma das melhores franquias do mundo, se não a melhor, dando às pessoas que cresceram com o monstrão uma verdadeira experiência cinematográfica e não só um blockbuster.

4 pontos e meio

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