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Dica televisiva: Cowboy Bebop (1998)

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Difícil escrever esse texto.

Cowboy Bebop foi um anime exibido entre 1998 e 1999 no Japão, criado por Shinichiro Watanabe e logo tornou-se um clássico moderno.

Cowboy Bebop conta a história de um grupo de caçadores de recompensa no ano de 2071, onde a humanidade avançou tanto tecnologicamente que conseguiu colonizar diversos planetas e luas do sistema solar, após um acidente com o portal hiperespacial, que liga todos esses planetas e destruiu grande parte do planeta Terra, tornando nosso planeta inabitável, apesar de muitas pessoas ainda morarem na Terra.

Cowboy Bebop acompanha a vida de Spike, Jet, Faye, Ed e Ein, a exótica tripulação da Bebop, um cargueiro transformado em nave. Cada um desses personagens recebe especial atenção e têm seus momentos mágicos, por assim dizer, agradando a muitas pessoas, transformando-se num clássico cult e elevando a carreira do seu diretor, Shinchiro Watanabe.

Mas engana-se quem pensa que o mérito é todo dele, Shincihiro teve uma grande ajuda para completar o seu anime, que tinha como premissa ser apenas uma série que pudesse vender naves espaciais. Esse foi o pedido feito pelo estúdio à Shinichiro, que a partir dai elaborou com uma equipe extremamente competente um dos melhores animes do mundo.

Cowboy Bebop é feito no formato de episódios fechados, ou seja, cada episódio conta uma história, a não os episódios que se centram em Spike (Esses são geralmente episódios com continuação), podendo ser assistido em qualquer ordem, apesar de ser recomendado assistir na ordem correta.

Logo no primeiro episódio já dá pra perceber que Cowboy Bebop não é um anime comum. Neste episódio somos apresentados a Jet, o capitão da Bebop e Spike, um caçador de recompensas desleixado e como ele mesmo diz: “A moda antiga”. Em um só episódio podemos ver referência a Clint Eastwood e seus filmes de faroeste, MPB, jazz, blues e até Robert Rodriguez (Que gosta muito do anime, por sinal), mas sem tornar-se uma miscelania ordinária, tudo é muito bem encaixado, até passa despercebido, podendo até resignificar as referências, tirando-as de seu contexto original, algo muito complicado de ser feito, mas que virou marca registrada de Shinichiro Watanabe, afinal ele é um dos poucos que sabe fazer isso com maestria. E esse é o grande trunfo da série, você poderá notar diversos elementos narrativos que fazem referência à filmes, livros, músicas e outros animes.

Outro grande trunfo narrativo da série são os temas abordados. Cowboy Bebop não se trata de um anime que simplesmente faz referência à outros animes, Cowboy Bebop têm profundidade e logo no segundo episódio já são feitas brincadeiras com Goethe, por exemplo. E se você for se aventurar e assistir a todos os episódios, poderá notar a presença de 3 grandes temas ao longo de toda o anime: O passado, a busca por um sentido e o equilíbrio.

O passado é o tema recorrente mais usado ao longo da série, afinal acompanhamos personagens perturbados por fantasmas de anos atrás e todos eles buscam superar os seus problemas. No entanto, para eles isso torna-se um objetivo difícil de ser conquistado, por que eles tem que superar o seu passado e encontrar novos objetivos na vida e aí entra a busca por um sentido. Os personagens se atormentam por que não sentem que vivem, em suma, eles só existem, mas há aqueles que encontram algo para viver e em sua nova vida, acham o equilíbrio que precisavam. Esse é o tema mais complicado de ser identificado na série, mas você pode notar que os personagens menos trágicos e por consequência, os que acabam não tendo tanta participação nos episódios finais são aqueles que acabaram encontrando um ponto de equilíbrio em suas vidas. O passado ainda está lá, ele existe, mas eles não podem mudá-lo, apenas superá-lo, o que eles acabam fazendo e seguem suas vidas, mesmo que distante daqueles que os acompanharam por tanto tempo.

Enfim, como você pode perceber, Cowboy Bebop têm personagens únicos e única também é a qualidade técnica do anime, contando com uma animação soberba, ainda mais para os padrões da época de lançamento dele.Por terem tanta liberdade para trabalhar, os animadores e roteiristas da série inseriam aquilo que eles mais gostavam e guardavam na memória do que foi influência para eles, por isso alguns episódios são inteiramente feitos com uma atmosfera noir ou têm elementos de filmes de faroeste, chegando ao extremo de criarem um episódio inteiro baseado em Batman. Um ponto alto da animação também é o uso de CG, não parece artificial e colocado por cima da cena, como em outros animes do século passado, as animações em CG realmente parecem pertencer, quadro a quadro, das cenas e não atrapalham em nada, pelo contrário, só acrescentam. A trilha sonora também é o ponto mais alto da série, que foi feita “de última hora” para cada episódio. Yoko Kano, responsável pela trilha sonora de Cowboy Bebop, criou uma banda só para fazer a trilha sonora do anime e por contar com tanta liberdade, criavam músicas para cada cena do anime, o que resultou em episódios com músicas originais e sempre diferentes, além de 10 CD’s com músicas do anime e um DVD ao vivo.

Cowboy Bebop, assim como muitos animes do final do milênio, contam com um final trágico, mas entram para a história, por que se trata de um trabalho realizado por jovens profissionais que queriam dar todo o seu melhor em um projeto com liberdade quase total. É um marco na história dos animes, sendo um dos animes de maior sucesso tanto no ocidente quanto no oriente, abusando de influências dos dois lados do planeta e influenciando pessoas de todos os cantos também.

Infelizmente, eu escrevi muito e sinto que não escrevi nada. Cowboy Bebop merece muito mais do que um texto desses.

black hole

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