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Dica cinematográfica: “Piconzé” (1972)

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“Piconzé” é um filme brasileiro de animação de 1972.

O filme conta a história de Piconzé, um menino que mora na Vila do Vale Verde, feliz com seus amigos Louro Papo, um papagaio e Chico Leitão, um porco fanfarrão. Tudo ia bem até que Gustavo Bigodão e seu bando de criminosos roubam a vila e sequestram Maria Esmeralda, amiga de Piconzé e também seu interesse amoroso na vila. Sem pensar duas vezes, Piconzé partem para salvar Maria e no meio do caminho passam por diversas aventuras, enfrentando um monstro, uma bruxa, conhecendo o Curupira e um ermitão que os ensina a lutar para derrotarem o bando de Bigodão.

Este filme foi criado por Ypê Nakashima, um japonês radicado brasileiro e uma ótima equipe de profissionais, que juntos fazem o primeiro filme de animação colorido do Brasil, com uma bela história, muito original e evocando elementos extremamente tradicionais do Brasil.

Vivendo numa época em que os filmes brasileiros ou inspirados no Brasil apenas tratam de festas, carnaval, futebol, gente dançando nas ruas ou índios lutando contra evangélicos num universo distópico, esse achado faz uma grande diferença para fazer mudara imagem que eu tinha do cinema de animação brasileiro.

“Piconzé” é uma história que segue os padrões do caminho do herói, com um garoto movido por um objetivo sensato  em uma aventura fantástica, ele é primeiramente derrotado, depois volta e aprende técnicas para deixá-lo mais forte e, enfim, derrota o vilão. Sem surpresas, afinal é um desenho para crianças, mas não é a narrativa que surpreende, muito menos a animação, que pelo fato de não contar com um grande orçamento e ter sido feita no final dos anos 60 e início dos anos 70 é muito abaixo da qualidade das animações de hoje e até das animações americanas e japonesas da época.

No entanto, os elementos presentes em todo o filme são extremamente surpreendentes, como por exemplo a inclusão de personagens tradicionais brasileiros, além das vozes dos personagens, que carregam personalidade a eles, tornando a animação extremamente engraçada, mas com piadas que, infelizmente, seriam mal vistas pelo politicamente correto de hoje. A ambientação do filme é baseada no nordeste brasileiro, mas os personagens não carregam um sotaque de lá, mas há brincadeiras com sotaques regionais, até internacionais, além de contar com jogos de palavras e as próprias situações se tornam hilárias.

Apesar da qualidade de animação não surpreender em comparação com os dias de hoje, há um ponto na parte técnica que coloca até os filmes mais atuais no chinelo e não só os brasileiros; eu falo da trilha sonora. A trilha é feita com instrumentos tradicionais brasileiros e alguns japoneses, misturando gêneros nordestinos, com samba, bossa nova e até mesmo rock, mas não fica uma bagunça. Todos esses gêneros estão presentes, mas cada um tem o seu espaço no filme, sendo colocados em situações diferentes, de acordo com a atmosfera que se desejava passar com as cenas. Sem contar que as canções nem sempre são instrumentais, contando com letras criativas e engraçadas que dão de dez a zero em qualquer filminho musical da Disney ou o infame Rio.

Enfim, Ypê Nakashima criou uma pérola que merece muito mais atenção do que recebe, devendo ser uma reprodução obrigatória para qualquer pessoa que quer levar a animação a sério, ou mesmo o cinema ou ainda que só queira passar um tempo com um filme para a família toda se divertir, sendo seu único ponto fraco a animação mesmo, mas isso dá pra perdoar, visto a qualidade narrativa, criativa e musical do filme.

“Piconzé” é um filme antigo e que por não receber a devida atenção de todos acabou meio que se perdendo no tempo e hoje conta com um interessante projeto que objetiva divulgá-lo e restaurá-lo para as futuras gerações de brasileiros conhecerem mais da história do cinema brasileiro.

O filme pode ser visto online gratuitamente aqui.

4 pontos e meio

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