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Dica literária: “The Circle” de Dave Eggers

The-Circle-by-Dave-EggersSó destruí dois livros na vida por que suas histórias são tão raivosas, tão enervantes, tão irritantes que me fizeram ter vontade de rasgá-los ao meio, partir a cara do escritor que os escreveu e fazer esses livros serem esquecidos no limbo literário que tantos autores ficaram presos.

O primeiro foi “O cortiço”, que eu detonei após ler o capítulo final no  banheiro da minha casa, rasgando e ateando fogo nele e jogando o que restou na privada.

O segundo foi “The Circle”. No entanto, esse livro ainda assim mereceu uma dica.

The Circle conta a história de Mae, que acaba de entrar na empresa de tecnologia mais badalada do momento, o Circle, num momento onde a empresa decide adotar diversas tecnologias novas para melhorar a vida das pessoas, vigiando-as, compartilhando todas as suas informações através de micro-câmeras, nanobots instalados em seus corpos e outros meios, enviando todos esses dados para a nuvem que a empresa criou. Empresa que domina 80% por cento do mercado de tecnologia, desde sistemas operacionais até tecnologias militares.

É uma ótima distopia e assim como “1984” e “Admirável Mundo Novo”, esse livro te deixa com muita raiva, mas ao contrário dos 2 clássicos do gênero, não é o governo quem dá as ordens por aqui, é uma empresa de tecnologia, algo muito mais fácil de ser aplicado à vida do cidadão comum, próximo dos jovens  e elevado a um status de grandeza que as faz estarem sempre certas (Jovens se adaptam fácil às novas tecnologias e os velhos tem que se acostumar com isso).

Não há força bruta aqui, não há uma figura central, há apenas uma empresa, comandada por 3 figurões ricaços e o discurso do compartilhamento.

Em determinado momento do livro, no final da primeira parte, a protagonista chega a conclusão, junto com um dos donos da empresa, que segredos são mentiras.

À partir a história se torna enervante, pois câmeras são instaladas em todos os cantos, todos adoram esse compartilhamento em massa e aqueles que são contra são facilmente esquecidos. Políticos são envolvidos em casos de pedofilia digital, de um dia para o outro, artistas são esquecidos numa multidão de novos acervos musicais e gráficos e a natureza é agredida ao ponto da empresa usar uma caverna inundada para manter os servidores da empresa.

Todas essas críticas são feitas de uma forma tão sutil que quase passam despercebidos, deixando uma sensação estranha de incomplementaridade, o que deixa o autor bem atrás de George Orwell e Aldous Huxley, que guiavam suas narrativas de forma abismal, publicando clássicos com menos de 200 páginas.

Já “The Circle” tem mais de 500 páginas, é maçante, com uma protagonista horrível, superficial e fraca, que se torna arrogante, mesquinha e traiçoeira conforme o livro avança. Claro que isso não é um elemento aleatório, foi colocado de propósito ali, nós devemos sentir raiva da Mae, no entanto isso cansa.

A apatia dos personagens, sua cegueira perante novas tecnologias e o modo como eles exaltam a empresa, além da ideia perturbadora de um mundo onde você têm câmeras em cada esquina, cada casa, cada cômodo e em volta dos pescoços de todos os seres humanos é perturbador demais para ser acompanhado por 500 páginas.

Mas, no fim, é um livro que têm que ser lido, ao contrário de “O cortiço”, The Circle mostra uma distopia nova, muito próxima da realidade e que pode acabar nos matando.

2 pontos e meio

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