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Dica musical: "AM" do Arctic Monkeys

Pois é, os meninos de Sheffield estão de volta. Arctic Monkeys, a banda que eu odeio amar lançou um disco novo, chamado “AM”, uma abreviação, uma imposição do seu ser, uma radiofrequência, uma madrugada… Tanto faz…
E u gostaria que esses caras lançassem um disco lixo. Sério… Só para que os fãs do Arctic Monkeys parassem de ser tão fanáticos! O fandom do Arctic Monkeys é provavelmente o fandom mais chato, irritante e imbecil de todos os fandoms que povoam a bendita internet.
No entanto, não dá… O Arctic Monkeys não consegue lançar um álbum lixo… Pelo menos, por enquanto.
“AM” é um ótimo disco.
No entanto não é perfeito e como eu sei que esse álbum só irá receber críticas positivas, vou falar do por que desse álbum não ser perfeito.
O Arctic Monkeys não tem mais uma identidade.
Quando eles começaram eram uma banda de indie rock, a melhor de todas, até que lançaram Humbug, um álbum introvertido, quase como um sussurro nos ouvidos de Alexa Chung, um sussurro sensual, porém chato para quem não era Alexa Chung ou não queria o Alex Turner no meio das pernas.
Depois veio Suck It And See, novo estilo, jaquetas de couro, olhares blasé, canções românticas, rock n’ roll, mas difícil de classificar, já não era mais indie rock. Já não era mais Arctic Monkeys.
Então sai “R U Mine?”, single do novo CD, rock n’ roll com pegada anos 70, pré-heavy metal, Black Sabbath, jaquetas de couro, calças apertadas, botas, topetes, olhar de mau.
E então sai “AM”, backing vocals de R&B, Black Sabbath, hip hop, jaquetas de couro, bebedeiras, caras de mau, teclados, bateria eletrônica, mainstream… Original… Mais difícil ainda de classificar.
Para fãs antigos é um choque. Fãs que conheceram os meninos de Sheffield quando eles eram só meninos é difícil engolir o que os homens prodígios de Sheffield andam fazendo de novo.
No entanto isso não incomoda tanta quanto ter que ouvir que todas as bandas têm que evoluir, que isso é amadurecer, entre outros clichês aplicáveis aos Arctic Monkeys.
Por que o que aconteceu com essa banda foi que eles se perderam. Desde Humbug eles entraram numa espécie de túnel escuro, onde não conseguem mais se reconhecer quando se olham no espelho. A carta de amor de Alex Turner para Alexa foi apenas o começo de uma crise de identidade da qual a banda ainda não conseguiu se recuperar.
Isso não é amadurecer, é o contrário disso.
No entanto, mesmo uma crise de identidade se encaixa nas mãos dos Arctic Monkeys e isso só mostra o quanto eles são talentosos… Ou sortudos.
De uam forma ou de outra, a verdade é que eles não se encontram mais musicalmente falando e talvez essa acabe sendo a identidade deles, assim como acabou sendo a do Black Flag. Uma banda que desliza por todos os estilos musicais, falhando e acertando, sendo apenas uma boa banda da sua época, mas provavelmente entrando na história como uma das maiores.
Quem sabe daqui a vinte ou trinta anos, os jovens entrem numa loja de discos ou na sessão gêneros do iTunes e vejam um disco do Arctic Monkeys em cada sessão ou prateleira.
Isso pode ser bom… ou não.

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