arte · coisas · deprimente · desenho · Felipe Lisbôa · filosofia · horrível · opinião · ordinariedades · teoria selvagem · Toringa · vida

Universidade

Olá, como deu pra perceber o blog deu uma mudada. Primeiro, por que eu quero deixá-lo mais apresentável ao grande público, já que agora irei usá-lo cada vez mais para divulgar o meu trabalho como escritor e ilustrador. Segundo, por que eu não gosto muito de ficar com a mesma coisa sempre e preciso mudar alguns detalhes da minha vida periódicamente.
Uma notícia boa (Ou não): Estou na faculdade!
Sim, eu estou na faculdade! Agora você me pergunta se eu estou gostando disso ou não…
“E aí Toringa, tá gostando da facu?”
E eu respondo: Não!
A faculdade é meio diferente do que eu pensava. Primeiro que eu tô fazendo arquitetura em uma faculdade particular. Segundo que eu não conheço ninguém na sala. Terceiro que eu eu não esperava tanta matemática. Quarta que eu tinha uma imagem da vida universitária mais ou menos como aquele desenho alí em cima e está sendo um pouco diferente, ao menos por enquanto.
Eu achava que iria ter amigos inteligentes, desenhistas, que gostassem de conversar sobre filosofia, política, artes, filmes europeus e bandas de lo-fi estadunidenses, canadenses, européias ou japonesas.
Mas não, na minha sala só tem meninas extremamente lindas, mas com uma auto-estima gigante, o que faz delas uma frescas metidas e cowboyolas!
Pra quem não sabe, eu moro no Mato Grosso do Sul, mais especificamente Dourados. A situação com os cowboyolas é tão complicada por aqui que você percebe que chegou no estado só de sentir o cheiro de cú, de tanta calça socada no rego que existe por aqui.
É muito cowboyola pro meu gosto.
Tá legal, eu tô exagerando só um pouquinha e antes que alguém venha me xingar nos comentários (Já passei por isso em outro blog quando eu fiz uma postagem supostamente engraçada sobre a vida no interiorrr de São Paulo), já vou dizer que grande parte do meu arrependimento com a faculdade vêm de mim.
Primeiro que a faculdade é particular e a vida toda eu nutri um certo preconceito contra faculdades particulares, por que todo mundo passa no vestibular de uma faculdade particular, o reitor é sempre um gordo cretino e mercenário, os professores são despreparados, se consegue nota com qualquer bolo de notas de 100 reais, etc… É preconceito, eu sei. E também sei que eu tô errado, por que eu aposto que não existe faculdade mais puxada que aquela que eu faço. É sério, é muito puxado o curso, cheio de atividades extracurriculares, trabalhos para serem feitos na sala, muitas contas de matemática e tal… No entanto, isso é bom, por que a minha imagem de faculdade, além da diversão com amigos universitários, é um lugar onde você tem tanto trabalho que nem dá tempo de fazer amizade, mas as pessoas são tão fodas que conseguem fazer amizades até no tempo livre escasso entre uma aula e outra.
E aí vêm o segundo ponto: Eu sou um zero à esquerda em relações sociais. Esse é o motivo de eu ter decepcionado as duas últimas garotas que ficaram a fim de mim (Aliás, as duas única na minha vida toda), é esse o motivo que me levou a criar uma penca de amigos imaginários, é esse o motivo que me fez escrever um livro e negociar tudo através da internet, é esse o motivo que faz com que o meu livro ainda não tenha se tornado um sucesso comercial, é esse o motivo que faz com que eu ainda não tenha um emprego em alguma loja maneira ou algum estúdio de tatuagem descolado, é esse o motivo por trás de toda as depressões da minha vida.
Eu não sei me comunicar. Eu não sei me relacionar.
E eu queria que fosse diferente, queria mesmo. De vez em quando, levanto de manhã e digo pra mim mesmo no espelho: “Hoje eu vou ser diferente” aí chega na hora H e eu desisto, não falo com ninguém, entro em depressão, fico beijando o travesseiro enquanto escuto música lo-fi triste ao celular e aí, minutos antes de ir dormir, me olho no espelho e digo pra mim mesmo tentando me convencer do que eu digo: “Nós vivemos sozinhos, nós morremos sozinhos, todo o resto é apenas uma ilusão.”
Só que eu não me convenço 100% disso e acordo no dia seguinte pensando: “Hoje eu vou ser diferente” e tudo se repete de novo.
A vida é difícil galera e já dizia uma amiga minha, muito religiosa e radical ao mesmo tempo: “Por que Deus não em leva logo pro lado dele, eu adoraria isso!”.
Eu também adoraria isso, por que viver é um saco.
E cada dia que passa eu me convenço cada vez mais da minah teoria de que nós só vivemos até os 12 anos, que é a época da real diversão, dos amigos de verdade, dos desenhos animados, das meninas serem nojentas, das disputas de bafo no pátio da escola e dos gibis da turma da Mônica na biblioteca da escola. Depois dos 12 anos, nós não vivemos mais, não contamos os anos progressivamente; mais 1, mais 2, mais 3 e sim regressivamente; menos 1 ano até o dia que eu morrer, menos 2 anos até o dia que eu morrer, menos 3 anos até o dia que eu morrer…
A vida é foda.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s