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Dica cinematográfica: A onda

Eu penso que o sistema político e econômico que vivemos é completamente errado. Existem algumas poucas coisas boas, como por exemplo quando o Lula criou vários programas para acabar com os miseráveis do nosso país. Ou algumas ideias menos conhecidas como a Economia de Comunhão.
No entanto, nada disso é 100%.
Todas essas coisas tirão nota 10 comparadas ao que já foi criado, mas não quer dizer que sejam boas. Elas são ruins e fracas, mas comparadas com o resto que já fora criado, são ótimas.
Na verdade, são boas, mas não irão mudar o mundo.
E eu tinha esse sonho de mudar o mundo.
Criar um sistema em que a solidariedade mandasse, onde o dinheiro não existisse e onde as pessoas não precisassem trabalhar. Imagine só, você acorda a hora que quiser e faz o que quiser fazer, se quiser tirar um dia de folga, por que não? Se quiser produzir comidas, produza! Se não quiser, não produza! O mundo não precisa dessas coisas mesmo, tem comida o bastante pra todo mundo. A ciência já avançou demais para que mais gastos fossem feitos com observatórios e centros de pesquisa. Os carros populares já são rápidos o bastante, pra que construir mais carros, mais rápidos, caros e poluentes? Pra que tanto lixo? Pra que tanta sobra?
Imagine viver num mundo onde essas coisas não existissem, onde todos se ajudassem mutuamente? E quem não gostasse, poderia viver do jeito que quisesse. Sozinho, claro, pois nós, pessoas visionárias de um mundo melhor não iríamos dar atenção à essa pessoa.
E eu seria o cara que tivesse iluminado todas as pessoas para essa melhor e nova realidade.
No entanto, sexta-feira eu assisti Die Welle (A Onda, se preferir). Um filme alemão de 2008 baseado em um livro que é leitura obrigatória nas escolas alemãs, que foi inspirado em um caso verídico que ocorreu em uma escola da Califórnia, nos EUA.
No filme, há um professor, que é meio que forçado a dar aula de autocracia, uma forma de governo onde todo o poder se concentra na mão de uma pessoa. Todo o poder. Ou seja, uma ditadura basicamente. Só que na Alemanha, os jovens estão de saco cheio desse assunto (vide Nazismo) e acham que seria impossível uma nova ditadura na Alemanha e então o professor resolve fazer uma pequena experiência: Da porta pra dentro ele seria o novo líder da sala e todos os seus alunos seriam os governados. Ele começa ordenando que eles se levantem para falar, sentem corretamente em suas carteiras e tal, colocando em prático um dos fundamentos para que uma autocracia funcione: Disciplina é poder.
Alguns alunos não concordam e são prontamente expulsos da sala de aula. Outros começam a achar que a coisa é boa e à um pequeno prazo todo o lance da “A Onda”, como eles decidem chamar esse movimento é bom. Os alunos começam a prestar mais atenção nas aulas, acabam as panelinhas, todos começaram a interagir entre si e a participar de eventos na escola, como torcer pelo time de pólo aquático.
No entanto, para se alcançar esses bons resultados são necessários sacríficios, como a idealização de uma só pessoa, o fim da liberdade e a exclusão de alguns alunos. O que ninguém esperava, nem mesmo o telespectador, é que “A onda” tomasse proporções tão grandes como tomou, arranjando brigas com gangues ideológicas, atraindo estudantes de outras classes e atos de vandalismo por toda a cidade.
E no final, como a história já nos mostrou inúmeras vezes, um governo autocrático sempre termina de forma trágica e sangrenta.
Esse filme foi uma iluminação para mim, por que eu percebi que eu seria apenas mais um ditador no mundo. Infelizmente, por enquanto, o nosso sistema é o melhor que tem pessoal e temos que nos acostumar com ele ou encontrar uma saída.
Eu estou procurando uma saída.

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